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NoveMeses nº14

nutrição 6 hormona tiroideia estão aumentadas cerca de uma vez e meia, pelo que uma ingestão adequada de iodo desde a preconceção, à gravidez e ao aleitamento materno é crucial para favorecer uma correta maturação do sistema nervoso central do feto e o seu adequado desenvolvimento. «Até às 20 semanas de gravidez, um bebé não tem capacidade de produção da sua própria hormona tiroideia, ou seja, depende totalmente da hormona tiroideia materna. Isto significa que temos que assegurar que as mulheres que engravidam têm quantidades suficientes de iodo para conseguir responder ao aumento da necessidade de hormona tiroideia existente na gravidez». fontes de iodo O iodo é absorvido naturalmente pelo organismo através da alimentação. «A principal concentração de iodo está na água do mar, logo, os alimentos marinhos - como as algas e o peixe de mar - são os mais ricos neste mineral», explica a especialista. Os produtos frescos e as leguminosas são também fontes alternativas, mas a quantidade real de iodo nestes alimentos varia de acordo com o teor de iodo do solo, práticas agrícolas ou mesmo o tipo de alimentação/ração dada aos animais. Estes fatores fazem com que seja mais difícil estimar a quantidade de iodo por porção de alimento. A utilização de sal iodado é também uma excelente fonte de iodo. A política de iodização universal de sal é, aliás, a medida de saúde pública mais utilizada para combater o défice de iodo nas populações de vários países do mundo. Contudo, apesar de o seu uso ser recomendado, cada vez mais se associa uma maior incidência de doenças cardiovasculares ao consumo de sal, razão pela qual a sua utilização deve ser moderada. Para além deste problema, existe ainda um aumento do consumo de comidas industrialmente processadas. «Apenas 15 por cento do sal consumido provém da comida feita em casa, o restante resulta dos alimentos já fabricados. Neste sentido, é preciso garantir que na indústria dos alimentos também seja usado sal iodado», sublinha Mafalda Marcelino. Neste contexto, hoje em dia é difícil conseguir uma ingestão de iodo adequada apenas com a alimentação, sobretudo para uma grávida que deveria consumir 250 μg/dia de iodo para dar resposta não só às suas necessidades, mas também às necessidades do feto. «Claro que os alimentos ricos em iodo são ótimos, mas na nossa dieta “mediterrânica”, em termos de ingestão, dificilmente serão suficientes. Apesar de ser importante para a grávida ingerir esses alimentos, isso não dispensa que esta população de risco deva fazer suplementação», explica a endocrinologista. Grávidas portuguesas têm défice de iodo Num estudo1 recente, realizado em Portugal, com base numa amostra de 3.631 grávidas, verificou-se que o aporte de iodo nas mulheres grávidas é insuficiente face às recomendações da Organização Mundial de Saúde, e que 83 por cento das grávidas do continente português consomem menos iodo do que o necessário. Este défice moderado de iodo tem sido confirmado em vários países da Europa e do mundo, pelo que a suplementação com iodo na gravidez é hoje recomendada pela Organização Mundial de Saúde, pela Iodine Global Network, e outras associações cientificas internacionais na área da Endocrinologia, Pediatria e Obstetrícia. Doses recomendadas Com base nos resultados do estudo português, a Direção- Estou a ingerir iodo suficiente? O défice de iodo não apresenta qualquer sintoma e é difícil saber quais as quantidades de iodo que uma grávida está a receber. A maior parte dos estudos epidemiológicos usam o iodo urinário como marcador, mas de acordo com a endocrinologista Mafalda Marcelino, não só esta análise não tem valor quando usada individualmente como, na verdade, não há razão para fazer análises individuais sobre os níveis de iodo, pois já foi provado, no maior estudo epidemiológico sobre o aporte de iodo em grávidas portuguesas, que a grande maioria tem níveis de iodo abaixo do recomendado e, por isso, beneficiam da suplementação. A orientação da DGS é que a mulher receba um suplemento diário de iodo - 150 a 200 μg/dia, desde o período preconcecional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo. A principal consequência de uma grávida não estar suplementada com iodo é que poderá vir a comprometer o adequado desenvolvimento cognitivo do seu bebé. Mafalda Marcelino, Endocrinologista


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