9meses_11

NoveMeses nº14

GRAVIDEZ 11 nomeadamente no que se refere a uma mudança e reforço positivo de estilos de vida que permitam vivenciar a gravidez de uma forma saudável, como hábitos alimentares adequados, abolição de hábitos nocivos, como o tabagismo, e prática de exercício físico. De uma forma genérica, todas as consultas deverão constituir um espaço em que o casal se sinta bem para esclarecer todas as suas dúvidas e uma oportunidade para fortalecer a relação de confiança com o médico assistente. é importante o pai também ir Às consultas? A gravidez deve ser vivida a dois. É muito importante que o companheiro acompanhe a grávida em todas as consultas, não só porque permite ao próprio médico assistente avaliar a motivação e a adaptação do casal ao novo estado, mas também porque facilita a vivência da própria gestação pela mulher. As notícias devem ser dadas, quando possível, com a presença dos dois no consultório, e as decisões que possam daí advir, devem ser tomadas em conjunto: tríade médico assistente, grávida e pai do bebé. Mas em tudo isto é importante imperar o bom senso e ter em conta as especificidades de cada situação. Não devemos cair no erro de achar que um pai que, por exemplo, por questões laborais ou pessoais, não pode estar presente em todas as consultas, é um pai menos interessado na gravidez ou no bebé. Quais as análises de rotina na gravidez? A vigilância analítica na gravidez inclui um estudo de determinados parâmetros de sangue e urina maternos, que se repetem, com algumas variações, em cada trimestre da gravidez. No hemograma, as principais alterações detetadas dizem respeito ao valor de hemoglobina, que é um valor que reflete a capacidade de transporte de oxigénio pelo sangue, e pode correlacionarse com as reservas de ferro no organismo; quando está baixo, diz-se que há anemia. Uma vez que existe um deficit endémico conhecido de ferro na população portuguesa em geral, e nas mulheres em idade reprodutiva e grávidas em particular, está recomendada a suplementação com ferro por via oral em grávidas com valores de hemoglobina inferiores a 11g/dL. O valor de plaquetas também pode sofrer uma diminuição fisiológica na gravidez, no entanto, pode existir a indicação para tratamento, de forma a optimizar a capacidade de coagulação na altura no parto e sua analgesia (epidural). Idealmente, o grupo de sangue dos progenitores deve ser conhecido previamente à gravidez. Durante a gestação é efetuado um estudo de possíveis incompatibilidades entre o grupo de sangue da mãe e do pai, que podem dar origem a anemia fetal. É dada particular atenção a grávidas RhD negativas, existindo uma espécie de vacina (profilaxia da isoimunização RhD) que, em casos específicos, pode ser administrada por volta das 28 semanas de gestação. Grande parte das análises efetuadas versam sobre o estudo de infeções, que, caso ocorram na gravidez, podem ter consequências para a mãe e para o bebé. O objetivo de estudar estas infecções pode ser vacinar (rubéola em pré-conceção), evitar a doença caso a grávida não seja imune (toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus), diminuir o impacto da transmissão da doença para o feto (HIV , hepatite B e C, toxoplasmose) ou tratar adequadamente (sífilis e bacteriúria assintomática da gravidez). A determinação do valor da glicemia em jejum no 1º trimestre da gravidez e a prova de tolerância oral à glicose, entre as 24 e as 28 semanas de gestação, vão permitir fazer o diagnóstico de uma possível diabetes gestacional. Algumas entidades preconizam que também deve ser efetuado o estudo da função da tiróide, uma vez que a sua disfunção é muito prevalente em Portugal, associando-se a maus desfechos, cujo tratamento adequado pode evitar. Finalmente, e no sentido de permitir interpretações de possíveis alterações que surjam mais tarde na gravidez, deve ser também efetuada uma análise básica à função do rim. Cada grávida é única A calendarização de exames, análises e consultas pode sofrer variações, de acordo com as especificidades de cada grávida. Existem grávidas que devem ter uma vigilância mais apertada e que o devem fazer com médicos especialistas na área da Obstetrícia e mesmo de outras áreas.


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