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NoveMeses nº13

nutrição 18 situação de fragilidade acentua-se. Enquanto no primeiro trimestre de gestação o facto de a mulher não menstruar reduz as perdas de ferro, no segundo trimestre de gravidez há um aumento da produção de glóbulos vermelhos por parte da mãe. «A partir do segundo trimestre há um boom, um crescimento significativo do feto e da placenta, e é preciso aumentar a massa eritrocitária da mãe», esclarece o Dr. António Robalo Nunes. Para além da gravidez, situações como a menstruação, doenças gastrointestinais e outros problemas que causem perdas de sangue podem originar anemia. sintomas comuns A fadiga, o aumento da frequência cardíaca (taquicardia), a falta de ar, palidez, queda de cabelo, alterações da pele e fragilidade das unhas são alguns dos sintomas percetíveis de anemia. A doença pode ainda conduzir a uma má resposta ao esforço, provocar distúrbios de sono e dificuldades de concentração. risco de complicações Segundo o Dr. António Robalo Nunes, a anemia e a deficiência de ferro têm um impacto negativo nas três componentes do “sistema” que a gravidez põe a funcionar: mãe, feto e placenta. A doença pode dar origem a uma série de doenças maternas e fetais, sobretudo se os níveis de hemoglobina estiverem abaixo dos 10,5 g/dL, valor de referência para a grávida, no segundo trimestre de gestação (ver caixa). Entre os problemas que podem afetar a mãe, destaca-se o risco aumentado de insuficiência cardíaca, uma maior predisposição para desenvolver infeções e algum perigo de acidentes embólicos. As complicações podem estender-se ao período pós-parto, havendo maior probabilidade de ocorrer uma hemorragia e um atraso na recuperação pós-cesariana. Quanto ao bebé, o crescimento e desenvolvimento podem ser afetados, tanto ao nível intrauterino, como depois de o bebé nascer, a longo prazo. Para além da ameaça de prematuridade, há um risco três vezes superior de morte no útero. Como reforça o Dr. António Robalo Nunes, «o bebé já nasce com um ambiente deficiente em termos de depósitos de ferro, o que muitas vezes se traduz num impacto negativo no valore s de refer ência na gra videz De acordo com a Direção- Geral da Saúde, os valores de hemoglobina de referência para a grávida devem situar-se nos 11 g/ dL de hemoglobina no primeiro e terceiro trimestres; 10,5 g/dL no segundo trimestre; e 10 g/ dL no período pós-parto.


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