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NoveMeses nº13

físicas e emocionais que se refletem no seu aspeto físico, estado de espírito, humor, e têm inevitavelmente impacto na sua sexualidade. «Muitas mulheres ficam inseguras e especialmente vulneráveis e carentes durante a gravidez, por não se sentirem atraentes e confortáveis com as transformações pelas quais o seu corpo passa. Interiormente, ao nível das emoções, também ocorre um processo de transformação, onde se misturam sentimentos de receio, entusiasmo e vontades», relembra Marta Crawford. Estas mudanças podem levar à diminuição do desejo sexual feminino, sobretudo no primeiro trimestre, no entanto, cada caso é um caso, pelo que há mulheres que até notam um aumento do desejo sexual na gravidez. 14 rei nventar a sexualidade Face a todas estas mudanças, é importante que o casal encontre novas formas de se relacionar sexualmente, não só procurando experimentar outras posições sexuais, que sejam mais confortáveis para ambos, como também encarando os gestos mais simples como formas de relacionamento íntimo. «O casal deve procurar estratégias para alterar a sua forma de intimidade sexual, no sentido de uma atividade que seja mais satisfatória, neste caso, para a mulher. Uma sexualidade que passe mais pelo carinho, pelas festas, pelas carícias, por outros tipos de comportamento sexual, como o sexo oral ou a masturbação», esclarece Marta Crawford. Mais uma vez, a especialista sublinha o facto de este ser um caminho que se faz a dois, com compreensão, e através do diálogo. Muitos casais conseguem alcançar este equilíbrio: «há casais que utilizam uma grande paleta de cores na sua sexualidade e que efetivamente descobrem-se durante a gravidez e encontram outras alternativas para manter o contacto íntimo com frequência, de uma forma satisfatória», colmata. O reco lhime nto físico no pós-parto Marta Crawford desmistifica a ideia de que um mês após o parto a mulher já se sente pronta para retomar a vida sexual que tinha antes da gravidez. Pode acontecer com algumas mulheres, mas não é um prazo que possa ser definido de forma rigorosa. «Existem imensas preocupações nos primeiros meses de adaptação à maternidade e à paternidade. Um novo elemento entrou naquela família e, de facto, carece de muita atenção», lembra. A acrescer a esta adaptação à nova rotina familiar, há ainda situações clínicas como a episiotomia ou as mastites mamárias, que muitas vezes afetam o bem-estar da mulher. Nesta fase, é essencial a compreensão do parceiro. «É preciso respeitar esse período de indisponibilidade. Há um recolhimento físico que faz com que a excitação e a lubrificação diminuam. Além disso, as mulheres que fizeram uma episiotomia têm a sua genitália muito mais frágil e, mesmo que tudo já tenha cicatrizado, há algum receio no ato da penetração», explica. No caso das mulheres que tiveram um parto por cesariana, pode haver uma aceitação difícil da cicatriz resultante desta intervenção. Este processo de adaptação por parte do casal, especialmente da mulher, leva a que, muitas vezes, a sexualidade só seja retomada de forma satisfatória passado um ano do nascimento do bebé. Segundo Marta Crawford, este período será mais curto se o casal verbalizar o que sente e conversar sobre o que pode fazer para alterar a sua situação. Nesse caso, diz a especialista, a retoma da vida sexual pode levar cerca de seis meses. rec uperar a co nfi ança Depois do nascimento do bebé, o parceiro pode ter mais dificuldades em compreender as razões que impedem o relacionamento sexual. Cabe também ao parceiro tranquilizar e apoiar a mulher a recuperar a confiança, sem que esta se sinta pressionada. É preci so manter a relação do casal O primeiro ano após a gravidez é um ano de transformação. Ser pai e mãe, sem deixar de ser casal, é um dos desafios mais parentalidade O casal deve procurar uma sexualidade que passe mais pelo carinho, pelas festas, pelas carícias, por outros tipos de comportamento sexual. Marta Crawford, Psicóloga e Sexóloga


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