GRAVIDEZ 14 No entanto, pode afetar gravemente a saúde do bebé. Numa primeira gravidez, geralmente a produção de anticorpos não é suficiente para causar doença. No entanto, por ser criada uma memória imunitária, numa gravidez futura em que haja um bebé RhD +, pode provocar a Doença Hemolítica Perinatal (DHPN). De acordo com Lisa Vicente, Médica Obstetra- -Ginecologista, Chefe da Divisão de Saúde Reprodutiva, Infantil e Juvenil da Direção Geral da Saúde, é esta memória imunitária que levará a que o bebé desenvolva uma anemia ainda dentro do útero. «A memória imunitária leva a que a mãe tenha sempre uma quantidade de anticorpos anti-D, mesmo que seja pequena, e se voltar a existir uma criança RhD+, a produção de anticorpos aumenta. Os anticorpos maternos vão unir-se aos eritrócitos fetais e destruí-los, o que gera anemia no feto, pois há uma destruição massiva dos glóbulos vermelhos», descreve. Segundo a especialista, entre as complicações desta anemia, está o risco de ascite - uma acumulação anormal de líquido no interior da cavidade abdominal - e de derrame pleural - uma acumulação exagerada de líquido no interior da cavidade pleural (que reveste os pulmões). Em que outras si tuações pode haver risco de sensi bili zação? Como já foi referido, a isoimunização pode dar-se no seguimento de hemorragias intrauterinas espontâneas, consideradas “silenciosas”, mas também no decorrer de episódios que produzindo em resposta anticorpos anti-D. A probabilidade de ocorrência desta sensibilização depende da resposta imunitária da mãe. Numa mulher com uma boa resposta imunitária, basta o contacto com 0,1 ml de sangue RhD+ para a mãe ficar sensibilizada. Quando é que pode ocorrer a isoim unização? A partir da 6ª semana de gravidez, o feto RhD+ começa a ter o antigénio D em circulação, e caso a mãe seja RhD-, poderá iniciar a produção de anticorpos, ficando imunizada. Se não forem tomadas medidas de prevenção adequadas, mesmo que não haja isoimunização durante a gravidez, esta pode ocorrer durante o parto. Segundo uma norma publicada pela Direção-Geral da Saúde (DGS), a investigação científica demonstrou que cerca de 2 por cento das grávidas RhD- sensibilizam para o RhD antes do parto, e cerca de 16 por cento fazem-no durante o parto, se nada for feito para prevenir esta situação. Por outro lado, existem outros fatores de risco que podem levar à isoimunização, nomeadamente no contexto de gravidezes não evolutivas, com a ocorrência de abortos espontâneos ou casos de gravidez ectópica. Nestes casos, a necessidade de terapêutica adequada é também muito importante, para prevenir que, numa gravidez subsequente, o feto sofra os efeitos da isoimunização. Quais as conse quências da isoim uni zação? A isoimunização RhD não tem consequências para a mãe. interferem na circulação de sangue da mãe e do feto. São eles, o aborto espontâneo, o aborto induzido, uma gravidez ectópica, e hemorragias resultantes de procedimentos invasivos durante a gravidez, como a amniocentese e a cesariana. Todas estas situações constituem fatores de risco de isoimunização. É por isso que as grávidas RhD- devem manter presente a informação sobre o seu tipo de sangue e recorrer ao hospital sempre que sofram uma hemorragia, informando quem lhes presta cuidados de que são RhD-. Nestas situações, e caso a grávida ainda não esteja sensibilizada, esta informação permitirá agir nas 72 horas seguintes à hemorragia, prevenindo a isoimunização, através de uma injeção de imunoglobulina anti-D. Como se previne a isoim unização? Atualmente é possível evitar que uma mãe RhD- produza anticorpos contra as células RhD+ do bebé, através da administração de imunoglobulina anti-D às 28 semanas de gravidez. Este medicamento é produzido a partir de um derivado sanguíneo de dadores já sensibilizados contra o anti-D. «A forma de prevenção da isoimunização é usar a resposta imunitária. No momento em que se antecipa que possam entrar glóbulos vermelhos fetais na circulação materna, administra-se imunoglobulina externa, fornecendo anticorpos anti-D em grande quantidade, para que a mãe não precise de os produzir. A imunoglobulina externa vai destruir os eritrócitos fetais que entram em circulação, o sistema imunitário da mãe não Como se sa be se a gr ávida es tá sensi bili zada ? Através de um teste de Coombs indireto, realizado na preconceção e durante a gravidez. Este teste permite que, na consulta das 28 semanas, a grávida possa saber se está sensibilizada e, em caso negativo, receba imunoglobulina D por prevenção. Se o resultado for positivo, a mulher deve ser titulada, avaliando-se o nível de isoimunização, para que possa ser administrado o tratamento adequado.
NoveMeses nº12
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