GRAVIDEZ 19 riscos que esta implica para a gravidez e para o bebé. Este é um momento em que a grávida pode conversar com os profissionais de saúde sobre as modificações necessárias no seu estilo de vida, sobretudo ao nível da alimentação, exercício físico e plano terapêutico. De acordo com Lisa Vicente, após o diagnóstico, o apoio à grávida com diabetes gestacional é um trabalho de equipa, que conta com a participação do médico obstetra, do endocrinologista, da enfermeira especialista e do nutricionista. «A primeira mensagem é não entrar em pânico. Porque a diabetes tem uma enorme carga social negativa. Deve ser explicado à grávida que, neste momento, a diabetes gestacional corresponde a uma situação que pode ser transitória». A gravidez pode constituir uma oportunidade para a grávida adquirir um estilo de vida mais saudável, melhorando os seus hábitos de alimentação e exercício físico. Estas modificações serão ainda essenciais para preservar a saúde de toda a família da mulher que passa pela experiência da diabetes gestacional. «A mulher deve pensar que “levou um cartão amarelo”, porque de alguma forma, ou pelo aumento de peso, ou pelo excesso de peso, ou porque ela própria terá uma reserva pancreática menor do que o normal, tem mais riscos de ela própria vir a ter diabetes mais tarde na vida», nota Lisa Vicente. Vigilância diária Uma das primeiras adaptações a fazer é passar a monitorizar diariamente os valores de glicemia. «Na diabetes gestacional há quatro medições essenciais: em jejum, e uma hora depois das três grandes refeições. A grávida anota os valores que tem, sendo que o objetivo é ficar entre os 70 mg/dl e os 90 mg/dl em jejum; e ficar abaixo dos 120 mg/dl após as refeições», esclarece a especialista. As primeiras duas semanas após o diagnóstico serão cruciais para perceber se a adoção de um estilo de vida mais saudável bastará para manter a diabetes controlada. Caso os níveis de glicemia não atinjam os valores de referência apenas com cuidados alimentares, pode ser necessário fazer tratamento com insulina ou antidiabéticos orais. Alimentação comple ta, va riada e equilibrada De acordo com Lisa Vicente, um dos aspetos essenciais a ter em conta nesta altura é que não será necessário «comer por dois». O ganho excessivo de peso pode aumentar o risco de diabetes gestacional e pôr em causa a saúde do bebé. O ideal será que adote uma alimentação completa, variada e equilibrada, baseada na Roda dos Alimentos, optando por fazer várias refeições ao longo do dia. Além disso, a grávida deve evitar o consumo de produtos açucarados, como os doces e os refrigerantes, e de produtos ricos em gordura, como os alimentos précozinhados e a fast food. Estes cuidados são muito importantes para a grávida e para o desenvolvimento saudável do feto, e se forem mantidos ao longo do tempo têm um alcance ainda maior, contribuindo para a saúde de toda a família. Exercício físico A prática de atividade física durante o período de gestação é uma das componentes mais importantes na prevenção e controlo da diabetes na gravidez. Desde que não haja contraindicação clínica, um plano de exercícios apropriado pode melhorar a sensibilidade à insulina e ser um complemento útil ao tratamento e controlo da diabetes gestacional. A caminhada, a natação ou a hidroginástica são alguns dos exercícios de baixo impacto que ajudam a manter a condição física e contribuem para o bem-estar da mulher. Pós-pa rto Segundo a DGS , todas as mulheres grávidas, diagnosticadas com diabetes gestacional devem realizar uma prova de reclassificação, seis a oito semanas após o parto. O diagnóstico da diabetes gestacional só fica completo nessa altura. Segundo dados do Observatório Nacional da Diabetes, a prevalência da diabetes gestacional em Portugal em 2013 foi de 5,8 por cento. As mulheres que se encontram neste grupo têm um risco acrescido de desenvolver diabetes gestacional numa gravidez seguinte e de desenvolver diabetes tipo 2 mais tarde. É por isso que será imprescindível acompanhar o estado de saúde da mulher e avaliar o risco de diabetes através de um vigilância regular, com a realização de rastreios ao longo da vida, que incluam análises à glicemia. No que respeita à criança que nasce no contexto de uma gravidez com diabetes gestacional, deve ser tido em conta um risco acrescido de obesidade na infância. Além disso, há uma maior probabilidade de vir a desenvolver diabetes tipo 2 na idade adulta, caso a mãe tenha desenvolvido diabetes tipo 2 após a gravidez. Estes riscos podem ser minimizados se, para além da vigilância regular, a família adotar um estilo de vida saudável. 5ideias chave 1 A diabetes gestacional (DG) define-se como qualquer intolerância aos hidratos de carbono, diagnosticada ou detetada pela primeira vez durante a gravidez. 2 O diagnóstico da DG faz-se em duas fases: na análise da glicemia em jejum, na primeira consulta de vigilância pré-natal, e numa Prova de Tolerância à Glicose Oral, às 24-28 semanas de gravidez. 3 A DG não controlada aumenta o risco de o bebé ser macrossómico e de traumatismo no parto 4 A adoção de uma alimentação equilibrada, conjugada com a prática regular de atividade física, é essencial para controlar a diabetes na gravidez. 5 Todas as mulheres que são diagnosticadas com DG devem realizar uma prova de reclassificação depois do parto, e fazer rastreios da diabetes com regularidade.
NoveMeses nº11
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