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NoveMeses nº11

GRAVIDEZ 18 ter familiares com Diabetes tipo 2. Complicações A diabetes gestacional não aumenta o risco de mal formações no feto nem fará com que o bebé nasça com diabetes. No entanto, uma diabetes não controlada pode trazer complicações à gravidez e prejudicar a saúde do bebé. Quando a grávida tem diabetes gestacional, o pâncreas trabalha constantemente para produzir insulina, mas esta insulina não baixa os níveis de açúcar no sangue. E, apesar de a insulina não atravessar a placenta, a glicose e outros nutrientes fazem-no, obrigando o pâncreas do bebé a produzir insulina adicional para reduzir a glicose. Uma vez que o bebé recebe mais energia do que necessita para crescer e se desenvolver, essa energia extra é armazenada como gordura. Este processo aumenta o risco de macrossomia (tamanho excessivo) no bebé e de traumatismo no parto. «As mulheres têm mais complicações associadas a traumatismo durante o parto (quando os fetos são grandes) e sofrimento fetal. Sabemos, além disso, que depois estes bebés têm também tendência a serem mais obesos», descreve Lisa Vicente. Controla r a Diabetes Ges tac ional As grávidas que são diagnosticadas com diabetes gestacional ou com uma diabetes prévia são normalmente encaminhadas para uma Consulta de Medicina Materno-Fetal, onde podem esclarecer as suas dúvidas sobre a doença e os Bibliograf ia consul tada : Direcção-Geral da Saúde. Diagnóstico e conduta na Diabetes Gestacional. Norma n.º7 2011; Jan. International Diabetes Federation. Global Guideline on Pregnancy and Diabetes; 2009. diagnóstico o mais cedo possível, para poder mudar o curso das complicações da doença». Fatores de risc o Qualquer grávida pode desenvolver diabetes gestacional, mas há alguns fatores de risco que devem motivar uma atenção especial. A idade é um deles. De acordo com os dados do Observatório Nacional da Diabetes relativos a 2013, a prevalência da diabetes gestacional em Portugal, no contexto das utentes do Serviço Nacional de Saúde, aumentou com a idade das grávidas, atingindo os 15,3 por cento nas mulheres com idade superior a 40 anos. Este valor baixa para os 6,9 por cento, nas grávidas entre os 30 e os 39 anos, e para 3,6 por cento nas grávidas entre os 20 e os 29 anos. Segundo Lisa Vicente, são também fatores de risco importantes: a obesidade; o aumento excessivo de peso durante a gravidez; o facto de ter tido diabetes gestacional numa gravidez anterior ou de Oral (PTGO), às 24-28 semanas de gestação. No caso das grávidas a quem é diagnosticada diabetes gestacional na análise da primeira consulta, já não será necessária a segunda prova. «Todas as grávidas fazem uma glicemia em jejum na primeira consulta, que idealmente deve ser realizada no primeiro trimestre. Se o resultado for negativo, a grávida deve fazer outra análise entre as 24 e as 28 semanas, e é importante que a faça nessa altura, e não antes, para evitar o risco de falsos negativos», sublinha Lisa Vicente, esclarecendo que os exames de diagnóstico são realizados tendo em conta a idade gestacional. A evolução da gravidez, com o crescimento da placenta, aumenta o risco de diabetes gestacional, da mesma forma que o ganho de peso em excesso com o decorrer da gravidez pode aumentar a insulinorresistência. «Ao longo do tempo de gravidez, aumenta a probabilidade de ter diabetes gestacional. O nosso objetivo é fazer o Lisa Vicente Médica Obstetra-Ginecologista, Chefe da Divisão de Saúde Reprodutiva, Infantil e Juvenil da Direção-Geral da Saúde


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