OMS recomenda menor interferência das equipas de saúde no ritmo do trabalho de parto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou novas orientações para estabelecer padrões de atendimento globais para mulheres grávidas saudáveis, sugerindo que as equipas médicas e de enfermagem devem evitar acelerar o trabalho de parto, a não ser que haja riscos reais de complicações.

OMS recomenda menor interferência das equipas de saúde no ritmo do trabalho de parto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu em fevereiro de 2018 um conjunto de novas diretrizes para estabelecer padrões globais no que toca ao atendimento de mulheres grávidas saudáveis. Um dos principais objetivos das recomendações visa a redução das intervenções médicas desnecessárias.

A recomendação que aborda especificamente a questão dos nascimentos e partos põe em causa orientações anteriores, que indicavam que um trabalho de parto que progride com uma taxa de dilatação do colo do útero menor do que um centímetro por hora não deveria ser considerado normal. Estas orientações, adotadas durante décadas, levam a que muitas mulheres recebam oxitocina para acelerar o trabalho de parto ou sejam encaminhadas para cesarianas ou trabalhos de parto com recurso a fórceps.

De acordo com uma notícia publicada no site da Direção-Geral de Saúde (DGS), «na sua nova orientação, a OMS pediu a eliminação da referência à dilatação cervical de um centímetro por hora e enfatiza que uma taxa de dilatação cervical mais lenta por si só não deve servir de indicação para acelerar o parto ou o nascimento».

Num comunicado enviado aos meios de comunicação social, a OMS salienta ainda que «cada nascimento é único», pelo que a recomendação vai no sentido de indicar que o limite de um centímetro de dilatação «não deve ser usado para identificar as mulheres em risco».

«A gravidez não é uma doença e o nascimento é um fenómeno normal, que se pode esperar que a mulher complete sem intervenção», sugere Olufemi Oladapo, do Departamento de Saúde Reprodutiva da OMS.

O novo documento da OMS inclui 56 recomendações sobre o que é necessário para o trabalho de parto e após o nascimento do bebé.

Outras recomendações divulgadas mencionam o direito que a mulher tem de escolher um acompanhante durante o trabalho de parto e o respeito pelas opções e tomada de decisão da mulher na gestão da sua dor e nas posições escolhidas durante o trabalho de parto. A OMS refere ainda que deve ser respeitado o desejo da grávida ter um parto totalmente natural, até na fase de expulsão.

Consulte aqui as recomendações (em inglês) da OMS.

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