Ecografias obstétricas recomendadas

Escrito por: Paula Braga
Com os depoimentos e revisão de: Sara Ramos, Enfermeira em Saúde Materna e Obstetrícia

São três as ecografias obstétricas recomendadas pelo Ministério da Saúde durante a vigilância pré-natal de uma gravidez de baixo risco. Uma por trimestre gestacional com especificidades distintas e datas muito restritas de realização.

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A vigilância pré-natal tem permitido reduzir a morbilidade e a mortalidade, quer maternas quer fetais e/ou perinatais. No decurso das consultas de acompanhamento da gestação, o médico que assiste a grávida solicita alguns exames complementares de diagnóstico, onde estão incluídas as ecografias obstétricas, importantes para rastrear ou prevenir situações passíveis de colocar em risco a saúde da mãe ou do feto/futuro bebé.

“Numa gravidez de baixo risco, em que não se detetam complicações materno-fetais, realizam-se três rastreios ecográficos, um por cada trimestre gestacional, os quais têm objetivos distintos e datas muito específicas para serem realizados”, sublinha Sara Ramos, enfermeira especialista em saúde materna e obstetrícia.

De acordo com o Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco do Ministério da Saúde e confirmado pela profissional de saúde com quem falamos, a enfermeira Sara Ramos, a ecografia realizada no primeiro trimestre (entre as 11 e as 13 semanas + 6 dias) tem como objetivo confirmar a viabilidade fetal, determinar o número de fetos e a corionicidade, excluir a possibilidade de uma gravidez extrauterina, datar com precisão a gravidez (comprimento crânio-caudal) – quando o cálculo da idade gestacional é feito desta forma, mantém-se inalterável ao longo de toda a gravidez – e contribuir para a avaliação de risco de aneuploidias (alteração genética no número de cromossomas). É também nesta fase que se quantifica o risco de trissomia 21, com base na medida da translucência da nuca e na idade materna, usando para este fim uma base de dados informatizada.

Nem antes nem depois

A segunda ecografia obstétrica acontece idealmente entre as 20 e as 22 semanas e mais seis dias e permite confirmar alguns dados da primeira ecografia, mas o principal objetivo deste segundo exame passa por identificar malformações potencialmente fatais e com tempo de vida limitado ou associadas a elevada morbilidade pós-natal, anomalias com potencial para tratamento intrauterino ou que exijam tratamento ou investigação pós-natal. Avalia-se as estruturas fetais e fisiologia fetal.

Esta ecografia também conhecida por morfológica é muito importante e tal como as outras duas ecografias recomendadas, a grávida deve “cumprir com rigor o intervalo de realização das mesmas, nem mais cedo nem mais tarde. Antes do tempo podem não ser detetadas determinadas patologias e, se houver dúvidas, terá de repetir. No caso da segunda ecografia em particular, é fundamental que ocorra entre as 20 e as 22 semanas mais seis dias porque se for identificada alguma malformação potencialmente fatal, os pais podem refletir e, caso decidam, têm ainda a possibilidade de avançar para a interrupção legal da gravidez que está definida em Portugal até às 24 semanas no caso de doença grave ou malformações congénitas do feto”, relembra Sara Ramos. 
Por norma, a ecografia morfológica é também o momento em que os pais conhecem o sexo do bebé e, por isso mesmo, é um exame aguardado com muita ansiedade.

Úteis e imprescindíveis

No terceiro trimestre realiza-se a última ecografia obstétrica, entre as 30 e as 32 semanas mais seis dias, a qual permite avaliar o desenvolvimento fetal e o diagnóstico de anomalias de desenvolvimento tardio. O seu relatório deve assim incluir a apresentação fetal, perímetro cefálico e abdominal; comprimento do fémur; estimativa ponderal (peso) e parâmetros biofísicos de avaliação do bem-estar fetal, como o volume do líquido amniótico.

Por vezes, a grávida deposita todas as expetativas nas ecografias, mas é essencial esclarecer que, apesar de serem exames úteis e imprescindíveis na vigilância de todas as grávidas, “funcionam apenas como um rastreio, avaliam o risco, mas não garantem um bebé 100% saudável, porque são exames com limitações. Poderá existir a necessidade de o médico prescrever outros exames complementares de diagnóstico para esclarecimento de situações clínicas suspeitas”, alerta a enfermeira especialista em saúde materna e obstetrícia. 

Três trimestres de gestação, três ecografias obstétricas recomendadas às grávidas de baixo risco. Cada uma tem um objetivo específico, mas no conjunto todas são válidas para uma gravidez bem-sucedida.

O que é uma ecografia obstétrica?

É um exame que permite ver o feto no interior do útero da mãe, através de ultrassons, inofensivo para o bebé e para a mãe. Trata-se de uma técnica indolor que pode ser realizada por via vaginal e/ou abdominal (consoante a idade gestacional e as condições) e que permite a visualização do feto, placenta, líquido amniótico, cordão umbilical e estruturas pélvicas maternas. 

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