Pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia (PE) é uma forma de hipertensão arterial (HTA) provocada pela própria gravidez que, salvo em situações excecionais, só ocorre na segunda metade da gestação. Apresenta-se clinicamente como uma doença materna (HTA, proteinúria, edema facial matutino, por vezes com disfunção de vários órgãos ou sistemas) e/ou como uma doença fetal (restrição do crescimento, diminuição do líquido amniótico, compromisso da oxigenação).

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Fatores de risco para PE: mulheres sem filhos, idade >40 anos, obesidade, história familiar de PE, gravidez gemelar, PE numa gravidez anterior, HTA ou doença renal crónicas, etc. Estas grávidas devem ser sujeitas a observações clínicas e rastreios laboratoriais mais frequentes que nos outros grupos de gestantes, mas deve notar-se que muitos casos de PE ocorrem em grávidas sem fatores de risco.

A apresentação da PE é muito heterogénea e com diferentes graus de gravidade: pode surgir só próximo do termo da gravidez, com valores moderados de HTA e de proteinúria (“albumina” na urina) e praticamente sem reflexo sobre o estado fetal ou, pelo contrário, pode ter um início precoce, HTA e proteinúria muito importantes, perturbação das funções maternas renal, hepática e outras, e reflexos graves sobre o estado do feto.

Um quadro de PE grave indica, usualmente, a necessidade de interromper a gravidez. De facto, por melhor que seja a atuação clínica, pouco mais consegue do que diminuir os valores da HTA e impedir que ocorram convulsões (eclâmpsia), para além de permitir ganhar algum tempo para induzir a maturação pulmonar do feto. Note-se que, ao baixar-se a pressão arterial (PA) materna, ir-se-á diminuir a já comprometida oxigenação fetal, colocando em risco a vida do feto.

Existem formas atípicas de PE, nas quais os valores da PA não ultrapassam os limites superiores do normal (140-90 mmHg) e/ou não existe proteinúria significativa (> 1 grama na urina de 24 h) mas, em contrapartida, existem sintomas e valores laboratoriais que indicam a gravidade da situação. Entre os sintomas contam-se a dor ao nível do estômago (epigastro), náuseas/vómitos persistentes, cefaleias intensas, perturbações da visão, etc. Quanto aos valores laboratoriais, pode observar-se diminuição acentuada das plaquetas, elevação das enzimas hepáticas e hemólise, o que constitui o quadro do síndrome HELLP.

Todas as grávidas com PE terão de ter internamento hospitalar. Mesmo nos quadros moderados, que permitem o prolongamento da gravidez por alguns dias, a possibilidade de agravamento súbito é muito grande. Por essa razão, a vigilância materno-fetal tem de ser permanente.

Muitos estudos têm sido feitos no que respeita à prevenção da PE, tendo sido testada a eficácia de múltiplos fármacos e suplementos alimentares. Nenhum deles mostrou qualquer efeito significativo na redução das situações de PE. Os suplementos de cálcio em mulheres com dietas deficientes em produtos lácteos ou a administração iniciada antes da 16.ª semana de baixas doses de aspirina em gestantes com antecedentes de PE têm, em alguns estudos, mostrado um modestíssimo efeito positivo, mas noutros tantos esses benefícios foram nulos, pelo que não são recomendados como tratamento de rotina.

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