Papel do pai no parto

Escrito por: Paula Braga
Com os depoimentos e revisão de: Zahra Jamal, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia

Sendo a gravidez um projeto a dois, faz todo o sentido o pai estar presente no parto, mas cada um é livre de escolher como quer viver este momento único.

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A questão coloca-se a todos os casais mesmo ainda durante a gravidez: o pai deve estar ou não presente na sala de partos? E é importante que o casal chegue à resposta que lhe é mais conveniente durante a gravidez, não deixe para resolver no último momento.

“O pai tem de se sentir preparado, caso não esteja, é melhor não ser o acompanhante porque só vai atrapalhar. O casal deve conversar sobre as expetativas e receios do pai e chegar a uma conclusão atempadamente. É importante para a grávida ter um acompanhante quando chegar a hora de dar à luz, mas pode ser a mãe, a irmã ou mesmo uma amiga. A grávida tem de se sentir confortável, confiante e segura com a escolha que fez. Naquele momento não pode estar preocupada com o sistema nervoso do marido ou se o mesmo vai desmaiar a seguir”, sublinha Zahra Jamal, enfermeira especialista em saúde materna e obstetrícia.

Caso o casal decida viver a gravidez a dois até ao último minuto, incluindo o parto, o pai deve saber comportar-se na sala de partos. Há regras a cumprir que lhe serão transmitidas no devido momento e há a necessidade de estar disponível para apoiar a mulher a 100%. Zahra Jamal relembra que “o acompanhante, seja o pai ou não, deve apoiar emocionalmente a futura mãe e prestar-lhe todo o auxílio nas situações mais básicas, como, por exemplo, acompanhá-la ao duche, oferecer-lhe água, fazer-lhe uma massagem de alívio nas costas por causa das contrações, transmitir-lhe tranquilidade, encorajá-la ou garantir um ambiente calmo em seu redor. Estar focado na grávida e em todas as suas carências do momento, é o que importa”.

É importante referir, no entanto, que um pai não será um melhor ou pior pai por estar ou não presente no parto. Contudo, há um conjunto de emoções que deixa de viver tão intensamente. Assistir ao nascimento do filho é uma experiência única, mas também violenta. Cada pessoa é livre de escolher e a decisão final do casal deve ser respeitada.

Comportamentos desejáveis

  • Atenção focada 100% na grávida

Se optou por acompanhar a grávida na sala de partos, então foque toda a atenção nas suas necessidades. Esteja atento ao que a mulher precisa, ao que ela diz, ao que ela pede. Conforte-a se for caso disso ou faça silêncio, se ela o desejar. Na sala de partos, a grávida manda.

  • Seja prático mas carinhoso

Para ajudar a grávida a descontrair, pode fazer-lhe uma massagem nos ombros, por exemplo, ou junto aos rins para aliviá-la da dor das contrações. Transmita carinho, afago, dê-lhe a mão, caso ajude, para a mulher apertar durante as contrações e suportá-las melhor.

  • Tranquilidade e segurança máxima

Esforce-se por manter o ambiente o mais tranquilo e seguro possível, duas necessidades básicas de uma mulher quando está prestes a dar à luz. Feche a porta do quarto para garantir privacidade e não permita situações de stresse ou gente a mais. Um enfermeiro é suficiente se tudo estiver a decorrer com normalidade. Fale baixo e a luminosidade no interior do quarto deve ser pouco intensa.

  • Transmita confiança

O parto é um momento tenso. A mulher está ansiosa, cansada, com medo e pode mesmo duvidar das suas capacidades para concluir a tarefa de dar à luz. O pai ou o acompanhante da grávida deve transmitir-lhe confiança e incentivá-la ao máximo, dar-lhe uma palavra de ânimo para continuar e aguentar as contrações. Ajudá-la na respiração porque está a par das técnicas especiais de respiração transmitidas durante o curso de parentalidade e preparação para o parto, hoje frequentado por muitos pais.

Comportamentos indesejáveis

  • Questionar tudo

Neste momento tão particular, ouça mais do que fale e muito menos questione. A mulher precisa estar o mais calma possível, descontraída e concentrada. Não a importune com perguntas desnecessárias ou sugestões disparatadas. Ouça e observe, acima de tudo!

  • Treinador de bancada

Hoje em dia muitos pais participam nos cursos de parentalidade e preparação para o parto e ficam a conhecer as técnicas de respiração. Contudo, quando chega o dia D podem ajudar a mulher, mas não orientá-la de forma rígida e intransigente. Esqueça a veia de treinador de bancada e assuma a vertente de companheiro carinhoso e atento.

  • Incumprimento de regras

Os acompanhantes na sala de partos têm de cumprir regras. A equipa de enfermagem informa sobre os limites de circulação e qual a zona a que estão cingidos para não atrapalhar. O lugar do pai é ao lado da mãe e não ficar em frente à mãe para ver o bebé nascer. Cumpra as regras e não atrapalhe.

  • Não exagere a filmar ou a fotografar

Por vezes, ao querer filmar ou fotografar tudo, pode atrapalhar os profissionais de saúde. Tem de ser moderado e silencioso e não ultrapassar o espaço que lhe foi circunscrito. A personagem principal é a mulher e tudo o resto é secundário. Aproveite o momento único que está a viver.

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