Cesariana: os prós e os contras

A cesariana é a operação que permite a extração do feto através de uma incisão no abdómen e no útero de uma mulher grávida. Nas últimas décadas tornou-se a intervenção cirúrgica mais frequente no mundo industrializado.

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Considerada uma intervenção de baixo risco, é muitas vezes praticada sem existir uma indicação médica formal, sendo inclusivamente defendido que poderá ser efetuada exclusivamente por opção da grávida.

A cesariana é uma intervenção de grande valor para, em circunstâncias bem definidas, evitar a morte ou a deterioração do estado do feto e do recém-nascido, bem como para resolver complicações ocorridas durante o trabalho de parto ou solucionar problemas relacionados com a saúde materna (cardiopatias muito graves, por exemplo). Mas, por outro lado, pode trazer consequências sérias quer para o recém-nascido (como é o caso da dificuldade respiratória neonatal mesmo em fetos de termo), quer para a mãe, sejam imediatas (hemorragia, infeção, lesão de órgãos pélvicos, etc.), sejam em futuras gestações (rotura do útero, placenta prévia ou acreta, necessidade de histerectomia, etc.).

Salvo quando existe patologia materna e/ou fetal grave, são poucas as situações que justificam a opção por uma cesariana antes do início do trabalho de parto (cesariana eletiva): óbvia desproporção entre o tamanho do feto e a bacia materna, apresentações fetais anómalas, placenta prévia, cicatrizes uterinas (cesarianas anteriores, p. ex.), ou prevenção de transmissão de infeções ao feto (VIH, herpes genital ativa, etc.). Sublinhe-se que, na cesariana eletiva, principalmente se for efetuada antes de completadas as 39 semanas, a morbilidade respiratória do recém-nascido é cerca de quatro vezes maior que no parto vaginal.

No grupo das cesarianas intraparto devem incluir-se a maioria das situações de desproporção feto-pélvica (que só podem ser corretamente diagnosticadas pela ausência de progressão do trabalho de parto durante a sua fase ativa), os traçados cardiotocográficos não tranquilizadores ou patológicos, e as situações agudas materno-fetais como, por exemplo, o prolapso do cordão umbilical e o descolamento súbito da placenta. As induções intempestivas do trabalho de parto contribuem muito para o aumento das cesarianas desnecessárias.

Entre as políticas propostas para diminuir as cesarianas injustificadas nas gestações normais contam-se: a) Não transmitir à grávida a falsa noção de que a cesariana eletiva é mais segura para o feto; b)Nunca induzir o trabalho de parto antes das 41 semanas; c) Quando o feto está em apresentação pélvica, proceder à tentativa de versão fetal às 36-37 semanas; d) Nos casos de “cesariana a pedido”, obter o necessário consentimento informado depois de prestada detalhada informação à grávida sobre riscos atuais e futuros inerentes à sua decisão.

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