Conciliar a vida pessoal e profissional

Escrito por: Sofía Patrício

Conheça as principais estratégias no dia a dia para alcançar o equilíbrio adequado entre a vida familiar e a carreira.

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Apenas duas gerações era o homem quem trabalhava para sustentar a casa, enquanto a mulher ficava encarregue de cuidar dos filhos e das tarefas domésticas, hoje esta realidade soa a algo muito longínquo no tempo. Primeiro, porque não é assim tão vulgar quanto isso que apenas um dos elementos da família consiga sustentar uma casa. Depois, porque as diferenças de género se esbateram e as mulheres já têm [porque podem ter] ambições profissionais, sendo que muitas delas ocupam cargos de chefia. Por outro lado, os homens estão mais presentes no seu papel de pai, dividem com a mulher as tarefas domésticas e ambos, marido e mulher, trabalham a tempo inteiro.

Desafios dos casais com filhos

Se estas mudanças representam um inegável avanço das sociedades desenvolvidas, a verdade é que também trazem desafios aos casais com filhos, sendo que a conciliação entre a vida pessoal e profissional é, provavelmente, o maior deles todos.  No entanto, por mais que haja dias em que este equilíbrio parece ser uma quimera, tal é possível de ser alcançado.

Simplificar tarefas no dia a dia

Lina é jornalista e mãe de três meninas de 6, 4 e 2 anos. Como se poderá calcular –  tanto pelo número de filhas, como pela (pouca) diferença de idades entre elas – é preciso ter “jogo de cintura” para conciliar estes dois mundos. Um jogo traduzido em alguns truques que, como nos explica, passam muito por simplificar ao máximo uma série de tarefas do dia a dia e por ter um sentido prático. Por exemplo, ajuda recorrer “às compras online e às entregas ao domicílio”, “ter a escola ao pé de casa” ou, no caso de Lina, “viver perto do trabalho”. Não se preocupar demasiado com coisas irrelevantes, como “a cama que naquele dia ficou por fazer”, também é importante, o mesmo se podendo dizer da capacidade de aceitar que há dias em que há coisas que “ficam para trás”, tanto em casa, como no trabalho. Dormir também é uma palavra que vale ouro para Lina! Mas independentemente de todas as acrobacias que possa fazer para que as suas vidas profissional e pessoal não se atropelem, Lina deixa claro que, para ela, “ser mãe não é um trabalho. É uma relação que tenho com as minhas filhas.”

O segredo está em dividir tarefas

Já Patrícia Fernandes é mãe de um rapaz de 12 anos e de uma rapariga de 8, e ocupa o cargo de diretora de Relações Públicas, Marketing Central e Comunicação da Microsoft Portugal. Apesar da sua função profissional lhe exigir uma grande dedicação e responsabilidade, ela garante que o tão almejado equilíbrio profissional e pessoal é atingível, “com muita organização, boa vontade e algum malabarismo”. Mas, acima de tudo, defende que esta conciliação é possível graças à cumplicidade que tem com o marido, “onde cada um complementa a disponibilidade e indisponibilidade do outro.”

Organizar agenda semanal

Mas Patrícia tem mais segredos: “planeio muito bem a minha agenda, tanto a médio e longo prazo, como a curto prazo. Todos os domingos, estudo bem a agenda da semana, para verificar as opções chave: os dias em que tenho reuniões cedo e que não me permitem ir levar as crianças à escola, os dias em que tenho reuniões a acabar muito tarde e que não vou poder fazer o jantar, etc. São dias em que tenho de assegurar que alguém faz por mim aquilo que eu não poderei fazer.”

Definir prioridades com a família

Apesar de profissionalmente ter uma função de topo, Patrícia dá prioridade à vida pessoal. “É importante priorizar os compromissos pessoais (…) uma reunião na escola das crianças, uma atividade extracurricular que se tem de assistir, uma ida ao médico, uma intervenção cirúrgica planeada de algum familiar, etc. É importante que o façamos, para garantir que não temos compromissos profissionais a impedir a nossa presença nas atividades pessoais.”

Tecnologias são aliados para as mães

As tecnologias também são grandes aliadas desta mãe, que considera muito importante o facto de “poder trabalhar em casa, exatamente da mesma forma que trabalho no escritório”. Neste ponto enaltece a sua empresa, por ter “um sistema de gestão de pessoas assente na meritocracia e na gestão por objetivos e não no número de horas de presença na sua sede.” 

O caso de Lina e Patrícia remetem-nos para um estudo de novembro de 2012, intitulado “Defining Success”*, realizado pela Accenture, que revelou que 56% dos inquiridos considerou que na base de uma carreira bem sucedida, estava a capacidade de conciliar a vida profissional e pessoal, sendo que, neste estudo, este argumento aparecia no topo da lista; acima do vencimento ou do reconhecimento. No mesmo inquérito, 70% dos homens e mulheres ativos, acreditavam que era possível sentirem-se realizados pessoal e profissionalmente falando.

Adrian Lajtha, chief leadership officer (CLO) da Accenture, defendeu na altura, e no âmbito deste inquérito, que “enquanto os profissionais de hoje lutam para encontrar o equilíbrio perfeito, as organizações líderes encontrarão formas inovadoras de ajudá-los a desenvolver, crescer e prosperar.»

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