Adaptações do organismo materno

Escrito por: Ana Margarida Marques
Com os depoimentos e revisão de: Dra. Joana Rego, Ginecologista-Obstetra

Saiba quais as principais alterações fisiológicas que ocorrem no organismo durante a gravidez como forma de preparar o corpo para um novo ciclo de vida.

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São diversas as alterações que ocorrem no organismo materno. Segundo a médica Joana Rego, tais transformações criam as condições necessárias para o desenvolvimento fetal em equilíbrio com os vários órgãos e sistemas maternos e preparam a mulher para o parto e a lactação.

São diversas as alterações que ocorrem no organismo materno. Segundo a médica Joana Rego, tais transformações criam as condições necessárias para o desenvolvimento fetal em equilíbrio com os vários órgãos e sistemas maternos e preparam a mulher para o parto e a lactação.

«É fundamental que a mulher tenha consciência de que o universo de alterações no organismo está correlacionado com os fenómenos da gravidez considerada normal», explica a médica, que enumera algumas das principais alterações que ocorrem durante a gravidez. A grávida deve procurar o seu bem-estar e o do bebé, sendo muito importante que esclareça todas as dúvidas com o seu médico.

Aumento uterino

O útero tem a capacidade de aumentar rapidamente de tamanho e regressar ao seu tamanho habitual semanas após o parto. Este órgão vai transformar-se numa cavidade de parede fina capaz de comportar o feto, a placenta e o líquido amniótico, podendo atingir cerca de 1.100 gramas no fim da gravidez e um tamanho 500 a mil vezes superior ao habitual.

Corrimento vaginal

As glândulas da vagina e do colo do útero produzem um muco espesso esbranquiçado designado rolhão mucoso, que permanece no canal vaginal até ao fim da gravidez e que protege a entrada de infeções.

Aumento mamário

Logo nas primeiras semanas da gravidez surge tensão mamária e dor. Após o segundo mês, as mamas e os mamilos aumentam de tamanho e tornam-se mais pigmentados. Ao fim dos primeiros meses, a compressão mamilar exterioriza um líquido espesso amarelado, o colostro.

Aumento ponderal

Em média, a grávida aumenta cerca de 12 kg no segundo e terceiro trimestres. É um incremento atribuído ao útero e seus conteúdos, mamas, aumento do volume plasmático, retenção de água e aumento das reservas maternas sob a forma de gorduras e proteínas.

Circulação sanguínea

O aumento da retenção de líquidos pode ocorrer desde fases precoces da gravidez. Ao fim do dia, pode haver acumulação de cerca de um litro nos pés e tornozelos. Isto acontece porque o útero dificulta a circulação nos membros inferiores e favorece o aparecimento de varizes. As hemorroidas podem ocorrer na gravidez e devem-se sobretudo à obstipação e ao aumento da pressão nas veias abaixo do nível do útero.

Anemia

Há um aumento significativo do volume de sangue materno com o principal objetivo de compensar as perdas sanguíneas durante o parto. Como o volume de sangue é superior ao aumento dos glóbulos vermelhos, ocorre uma diluição com consequente diminuição dos níveis de hemoglobina. Dá-se uma anemia fisiológica da gravidez.

Pressão arterial

É frequente haver uma diminuição ligeira da pressão arterial logo desde as primeiras semanas da gravidez, com redução de 5 a 10 mmHg entre as 12 e 26 semanas. Estes valores retornam à pressão arterial pré-gravídica próximo do termo. 

Sensação de falta de ar

O aparelho respiratório sofre alterações anatómicas e funcionais responsáveis pela sensação de falta de ar. Este mecanismo é protetor para o feto, visto que fornece níveis adequados de oxigénio para o seu metabolismo.

Sistema urinário

À medida que o útero aumenta, vai provocando compressão da bexiga, deslocando-a para cima, o que leva a um maior número de idas à casa de banho. Durante a gravidez os rins aumentam cerca de um a 1,5 centímetros de comprimento. Os ureteres, canais que ligam a bexiga aos rins, tornam-se mais alongados, tortuosos e dilatados, provocando uma maior lentidão na circulação de urina e maior tendência a infeções urinárias.

Mal-estar

As náuseas e vómitos são sintomas comuns no primeiro trimestre e devem-se sobretudo a alterações hormonais. A salivação pode parecer aumentada devido à dificuldade na deglutição associada às náuseas. As gengivas tornam-se mais volumosas e sangram mais. Os alimentos permanecem mais tempo no estômago, tornando a digestão mais lenta e podendo surgir sensação de enfartamento (azia).

Alterações na pele

Na gravidez pode ocorrer um aumento na pigmentação da pele, com aparecimento de estrias e manchas na região da face, pescoço, mamas, coxas, nádegas e abaixo do umbigo.

Dor lombar

Na grávida ocorre uma alteração compensatória na curvatura da coluna devido ao crescimento do útero. Tal facto, associado a uma diminuição da rigidez das articulações da bacia, altera a postura da marcha, provocando dores na região lombar.

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