Preparar o organismo para a gravidez

Escrito por: Iolanda Veríssimo
Com os depoimentos e revisão de: Baseado em:
Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco (Direção-Geral da Saúde)
Rede Ibérica de Promoção da Saúde da Criança
National Health Service - Reino Unido (NHS)
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Marcela Forjaz em O Grande Livro da Grávida (Esfera dos Livros, 2011)

Saiba para que servem os cuidados pré-concecionais e conheça os passos mais importantes para engravidar no ponto mais saudável possível.

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O desejo de engravidar é uma oportunidade para reavaliar aspetos ligados ao estilo de vida, para que a gravidez ocorra no ponto mais saudável possível. O estado nutricional, o peso e o estilo de vida são aspetos a ter em conta na preparação de uma gravidez saudável. Estes cuidados abrangem não só a futura mãe, mas também o futuro pai.

O estado nutricional da mulher é um ponto crucial nesta reavaliação. Neste contexto, entre os cuidados a adotar inclui-se o início da toma de alguns suplementos nutricionais, para a prevenção de malformações congénitas e para a melhoria do desenvolvimento neurológico e cognitivo do bebé.

Para além da marcação de uma consulta pré-concecional – onde se avalia o estado de saúde dos futuros pais e se tomam as medidas apropriadas para preparar a gravidez – é importante manter uma alimentação adequada e abandonar hábitos nocivos para a saúde, como o tabagismo, o alcoolismo ou o sedentarismo.

Consulta pré-concecional
As primeiras semanas de gravidez são de extrema relevância. O período em que o feto está mais vulnerável a problemas de desenvolvimento ocorre entre os 17 e os 56 dias após a fecundação, altura em que se começam a formar os órgãos, mas quando muitas mulheres ainda não sabem que estão grávidas.
O estado de saúde do casal antes da conceção permitirá detetar e prevenir muitos problemas que podem pôr em causa a evolução da gravidez e a saúde da mãe e do bebé.

A consulta pré-concecional pode ser feita pelo médico de Medicina Geral e Familiar ou pelo médico Ginecologista-Obstetra. No entanto, não pode ser substituída por uma consulta geral de rotina, uma vez que aborda dimensões específicas da preconceção.

Com base nas diretivas da Direção-Geral da Saúde (DGS), o médico normalmente prescreve análises básicas do estado de saúde da mulher, como o hemograma, a análise da função renal e a análise à urina, bem como análises específicas, como as serologias, que servem para avaliar o estado da mulher em relação a doenças como a rubéola, a toxoplasmose, a sífilis, a infeção por VIH ou a hepatite B. Para o rastreio do cancro do colo do útero, a citologia cérvico-vaginal (conhecida como Papanicolau) também deve estar em dia, e caso a mulher não tenha nenhuma ecografia recente, será feita uma para perceber se está tudo bem com o útero e os ovários. Outro dos exames relevantes, e que engloba o casal, é o rastreio das hemoglobinopatias.

Para além de permitir a avaliação do estado de saúde do casal, a consulta pré-concecional é uma oportunidade para expor dúvidas e receios sobre questões de saúde que preocupem o casal, sejam eles relacionados com a nutrição, problemas de saúde congénitos e hereditários, ou mesmo sobre os aspetos psicológicos, familiares e financeiros relacionados com a preparação da gravidez.

Controle o peso
O excesso de peso pode aumentar as dificuldades em engravidar e reduzir a probabilidade de sucesso de tratamentos de fertilidade. É importante manter um peso equilibrado, seguindo um plano alimentar correto e praticando atividade física.

No que toca ao plano alimentar, a mulher deve esforçar-se por seguir uma alimentação equilibrada, variada e completa, baseada na Roda dos Alimentos. Isto é, ingerindo mais alimentos dos grupos de maiores dimensões da roda, como os produtos hortícolas, e menos dos de menores dimensões, como as gorduras.

Outro dos princípios para uma boa alimentação é a distribuição das refeições ao longo do dia, fazendo assim uma dieta polifracionada. Faça entre cinco a seis refeições por dia e não se esqueça de beber bastante água. Nas refeições principais inclua sopa e uma peça de fruta. Seguir uma dieta polifracionada não significa que ao final do dia tenha ingerido um maior número de calorias, mas sim dividido a quantidade habitual de alimentos por várias refeições.

Vitaminas e minerais
Uma alimentação variada e equilibrada permite obter a maior parte das vitaminas e minerais de que a mulher necessita. No entanto, no período pré-concecional e durante a gravidez há necessidades nutricionais acrescidas, que não podem ser supridas apenas por via da alimentação.

Na consulta pré-concecional, o ginecologista-obstetra prescreve a toma de suplementos nutricionais conforme as orientações da Direção-Geral da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

Os cuidados pré-concecionais incluem um suplemento diário de ácido fólico, a ser iniciado dois meses antes de engravidar, e mantido ao longo de toda a gravidez, com o objetivo de prevenir malformações no cérebro do bebé. Relativamente ao iodo, a DGS recomenda um suplemento diário de 150 a 250 µg/dia desde o período pré-concecional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo.

Pratique atividade física
O exercício físico é um aliado importante no controlo do peso, sendo ainda uma boa forma de reduzir o stress e a ansiedade. Caso não haja contraindicações, pratique pelo menos 150 minutos de exercício físico moderado por semana (caminhada, hidroginástica, dança) ou 75 minutos de atividade física vigorosa (corrida, natação, marcha rápida).

Procure dormir bem
O sono é uma componente essencial para manter uma boa saúde. Os problemas de sono podem interferir na capacidade de engravidar, afetando o humor, a imunidade e até o equilíbrio hormonal. A falta de sono pode conduzir ao aumento de peso e ao abuso na cafeína, e as dificuldades em dormir podem tornar o seu ciclo menstrual irregular, interferindo no processo de ovulação. A National Sleep Foundation (Estados Unidos da América) recomenda que um adulto durma entre 7 a 9 horas por dia. Se as dificuldades em dormir forem persistentes, deve procurar um profissional de saúde para obter aconselhamento.

Tabaco, álcool e drogas recreativas
Quando tenta engravidar, a mulher deve ter os mesmos cuidados que uma grávida, evitando substâncias nocivas como o tabaco, o álcool e outras drogas. Para além de estar cientificamente associado à infertilidade (tanto na mulher como no homem), o tabaco reduz a probabilidade de sucesso de tratamentos de fertilidade e constitui um fator de risco de complicações na gestação.

Vacinas e infeções
Se a mulher já estiver a tentar engravidar, deve evitar expor-se a situações de risco no que toca a infeções alimentares ou gastroenterites. Para isso, deve evitar o consumo de marisco, carne mal-passada, queijos não pasteurizados, e ter um cuidado acrescido na lavagem dos vegetais. Nesta fase é também importante verificar se ambos os elementos do casal têm as vacinas contra doenças infeciosas em dia, nomeadamente contra o tétano, a difteria, a rubéola e o sarampo.

Onde posso obter mais informação?
Existem orientações específicas por parte das principais entidades de saúde para que as mulheres a tentar engravidar complementem uma alimentação saudável com a toma de suplementos nutricionais de ácido fólico e iodo.

Para além da consulta pré-concecional, na qual poderá tirar as suas dúvidas com um ginecologista-obstetra, o Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco, promovido pela Direção-Geral da Saúde (DGS), e o Guia para Grávidas, desenvolvido pela Rede Ibérica de Promoção da Saúde da Criança, são exemplos de fontes de informação acessíveis e fidedignas que todas as futuras mães podem consultar online.

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