Os 'meus quilinhos a mais' podem ser prejudiciais para o meu bebé?

Escrito por: Dr.ª Mariana Mouraz, especialista em Ginecologia e Obstetrícia do Centro de Saúde Militar de Coimbra.
Com os depoimentos e revisão de: Adaptado de www.rcog.org.uk/en/patients/patient-leaflets.

Vimos na última publicação quais os riscos para a grávida que tem excesso de peso.
Mas será que existe risco para o bebé?

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Vimos na última publicação quais os riscos para a grávida que tem excesso de peso.
Mas será que existe risco para o bebé?

A resposta é SIM, existe (m)!

Vamos ver quais são esses riscos:
• A probabilidade de ter um aborto espontâneo no início da gravidez é de 1 em 5 (20%), mas se tiver um IMC de 30 ou mais, o seu risco aumenta para 1 em 4 (25%).
• Se estiver acima do peso antes da gravidez ou no início da gravidez, isso pode afetar a maneira como o bebé se desenvolve no útero. Vejamos, cerca de 1 em cada 1000 bebés nascem com defeitos no tubo neural (problemas com o desenvolvimento do crânio e da coluna vertebral), mas se o seu IMC for superior 30, esse risco pode duplicar.
• Se estiver acima do peso, é mais provável que o bebé pese mais de 4 kg, o que aumenta o risco de complicações para si e para o seu bebé durante o nascimento (complicações no parto). Se o seu IMC for 30 ou superior, o risco duplica de 7 em 100 para 14 em 100 em comparação com mulheres com um IMC entre 20 e 30. Essas complicações são: parto instrumentado, cesariana, distócia de ombros, infeção e hemorragia pós-parto.
• A probabilidade geral de nado-morto também pode duplicar (dados do Reino Unido dizem que essa probabilidade é de 1 em cada 200 nascimentos e se IMC de 30 ou acima, esse risco aumenta para 1 em cada 100 nascimentos).
• Todas as grávidas em Portugal têm a oportunidade de realizar a ecografia do 2º trimestre, realizada entre as 20-22 semanas, para avaliar se as estruturas fetais estão presentes, com aspeto e tamanhos normais. No entanto, nas grávidas com excesso de peso, essa avaliação geralmente é tecnicamente mais difícil e pode ser menos precisa para detetar malformações.

Já passámos a altura em que a “gordura é formosura”.
A obesidade deve ser encarada como uma doença, por todos os malefícios que comporta mas porque também tem tratamento.

Na próxima publicação vamos ver de que forma podemos reduzir os riscos para a mãe e bebé.

Estejam atentos!

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