Devo engravidar durante o período de COVID-19?

Escrito por: Dr.ª Mariana Mouraz, especialista em Ginecologia e Obstetrícia do Centro de Saúde Militar de Coimbra.

Todas as nossas vidas foram alteradas (suspensas, se quiser ser mais dramática) nas últimas semanas. Muitos cancelaram viagens, perderam empregos, adiaram o casamento… mas, e as mulheres que esperavam engravidar este ano?

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Há muitas mulheres nesta situação, de Norte a Sul do país: a de quarenta anos que finalmente conheceu o “Tal” e está a tentar apanhar o relógio biológico; a que está a tentar a engravidar há meses, ou mesmo anos, e mantém a sua esperança a cada novo mês; a que sofreu perdas de gravidez várias vezes, mas continua a tentar. Estas mulheres estão preocupadas, não querem interromper as tentativas por um mês que seja, porque esse pode ser “O” mês.

Com tantas incógnitas à volta da COVID-19, é seguro tentar engravidar agora? As mulheres devem adiar as suas tentativas de gravidez - e se sim, por quanto tempo?

É impossível prever qual será o estado do sistema de saúde quando engravidar, ou daqui a um mês, ou daqui a 40 semanas. Sabemos que é provável que a COVID-19 esteja aqui, mas com o tempo os equipamentos médicos serão reabastecidos, o número de casos já estará a diminuir e quem sabe se já não existirá uma vacina?

A decisão de engravidar espontaneamente é, obviamente, uma decisão muito pessoal, mas se é jovem (<32 anos) e saudável, poderá fazer sentido esperar alguns meses até que que esta situação comece a abrandar. Pode aproveitar para ficar em forma e iniciar uma dieta saudável, por exemplo.
Se é mais velha ou tiver histórico de infertilidade ou aborto, deve discutir os riscos e benefícios específicos com o seu médico assistente. As consultas de planeamento familiar podem, na sua grande maioria, ser realizadas por telemedicina.

Não descurar a importância da consulta de pré-conceção e da suplementação com iodo e ácido fólico.

E porquê destas recomendações?
Relativamente ao bebé (feto), apesar de até à data não haver uma evidência clara de transmissão vertical (no útero e no parto), também não é absolutamente certo que tal não possa acontecer. É importante conhecermos o impacto do vírus no 1º trimestre da gravidez, e isso só irá acontecer em julho/agosto que é quando os primeiros bebés de mães infetadas na fase inicial da gravidez vão nascer.

Quanto ao efeito na mãe, sabemos que as grávidas têm uma diminuição da sua imunidade natural e, por consequência, são frequentemente consideradas um grupo de risco para a generalidade das infeções. Felizmente, no caso da COVID-19, a evolução clínica não parece ser diferente da de mulheres não grávidas, da mesma idade e com as mesmas condições de saúde. No entanto, alguns dos medicamentos que estão a ser usados no tratamento da COVID-19 têm algumas restrições na sua utilização na gravidez, o que pode influenciar negativamente a evolução da doença.

Posto isto, o que vão vocês fazer? Esperar ou avançar?

Adaptado de WebMD e consultadas as Recomendações da SPMR decorrentes da pandemia Covid-19 (ACTUALIZAÇÃO de 23/04/2020)..

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