COVID-19: Quais os conselhos para grávidas que trabalham em contacto com o público? E para as grávidas profissionais de saúde?

Escrito por: Dr.ª Mariana Mouraz, especialista em Ginecologia e Obstetrícia do Centro de Saúde Militar de Coimbra.

Numa altura em que já se retomaram algumas rotinas profissionais, vamos ver como poderá fazê-las em segurança.

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Foram consultadas as recomendações da DGS e de uma sociedade inglesa muito conceituada na Obstetrícia (Royal College of Obstetricians ang Gynaecologists - RCOG) e adaptadas para a nossa realidade.

Atenção que todas as opiniões aqui publicadas devem ser discutidas e validadas junto do seu médico assistente.

É normal ter medo de ir trabalhar! Esperamos que com esta publicação algum desse medo seja dissipado...

A COVID-19 representa um risco para toda a população. Os grupos que parecem estar em menor risco de desenvolver doenças graves são crianças e adultos saudáveis. É reconfortante saber que ainda não existem evidências de que as grávidas tenham uma maior probabilidade de serem infetadas comparando com outros adultos saudáveis.

Qual é afinal o risco para a grávida?
Apesar de as grávidas não parecem ser mais suscetíveis à infeção COVID-19 do que a restante população, tendo em conta a imunossupressão fisiológica da gravidez, é de considerar um cuidado especial. Dos estudos publicados até à data a informação que temos é que a grande maioria das grávidas positivas são assintomáticas ou têm sintomas ligeiros.

E para o bebé, existem riscos?
Atualmente, não há evidências que sugiram que a COVID-19 cause problemas com o desenvolvimento do feto ou aumente a taxa de aborto.

Relativamente à transmissão vertical (transmissão da grávida para o bebé antes do nascimento ou intraparto), embora muito pouco provável, parece não poder ser totalmente excluída.
Parece existir um ligeiro aumento do risco de parto pré-termo em grávidas infetadas.

Embora as evidências disponíveis até o momento não demonstrem grandes malefícios para a saúde da grávida e do feto, não é possível uma garantia absoluta que a COVID-19 não represente nenhum risco na gravidez.

No entanto, a experiência mundial, incluindo a nossa experiência em Portugal, é a de que os bebés nascidos de grávidas infetadas têm um bom prognóstico e a sua condição de saúde não é muito diferente dos nascidos de grávidas que não estavam infetadas.

Ainda posso ir trabalhar? E se eu trabalhar num serviço com atendimento ao público?
Sabemos que há uma ansiedade generalizada entre as grávidas (e não só!) que trabalham com atendimento ao público.

As grávidas que podem trabalhar em casa devem fazê-lo!
Se não puder trabalhar a partir de casa, e se trabalha numa função com atendimento público, mas essa função pode ser modificada, ótimo! O objetivo é minimizar a sua exposição e deve ser sempre considerada e discutida com a equipa de saúde ocupacional ou com o seu empregador.

Recomenda-se que, se estiver no primeiro ou segundo trimestre (com menos de 28 semanas de gravidez), sem doenças subjacentes, pratique o distanciamento social. Poderá optar por continuar a trabalhar desde que sejam tomadas as precauções necessárias: utilização de máscara ou de equipamentos de proteção individual, se justificável.

Se estiver no terceiro trimestre (mais de 28 semanas de gravidez) ou tiver uma patologia subjacente - como doenças cardíacas ou pulmonares - deve trabalhar em casa sempre que possível, evitar o contato com qualquer pessoa com sintomas de COVID-19 e reduzir significativamente os riscos desnecessários, como o contato social.

Sou profissional de saúde e estou grávida, o que posso fazer?
Segundo a DGS, as profissionais de saúde grávidas devem seguir as diretivas de avaliação de risco e controlo de infeção destinadas a profissionais de saúde expostos a pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19.

Os serviços podem querer considerar a limitação da exposição da profissional de saúde grávida a pacientes com COVID-19 (confirmado ou suspeito), especialmente durante a execução de procedimentos de maior risco (por exemplo, procedimentos que geram a produção de partículas de aerossóis).
A opção sobre se continua a trabalhar diretamente com pacientes durante a pandemia de coronavírus deve ser respeitada e apoiada pela sua entidade empregadora.

Se estiver no seu primeiro ou segundo trimestre (com menos de 28 semanas de gravidez), sem doenças subjacentes, pratique o distanciamento social, mas poderá optar por continuar a trabalhar diretamente com doentes. Se optar por continuar a trabalhar, é altamente recomendável que sejam tomadas as precauções necessárias. Sempre que possível, evite cuidar de pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19. Se isso não for possível, deve usar equipamento de proteção individual (EPI) e garantir uma avaliação completa dos riscos. Alguns locais de trabalho, como bloco operatório, enfermarias e unidades de cuidados intensivos, apresentam um risco maior e poderá ser sempre recomendada a utilização de EPI.

Se tem mais de 28 semanas de gestação ou com um problema de saúde subjacente recomenda-se evitar o contato direto com pacientes. É melhor trabalhar em casa sempre que possível, evitar o contato com qualquer pessoa com sintomas de coronavírus e reduzir significativamente o contato social desnecessário.
Os empregadores deveriam tentar procurar alternativas flexíveis para as trabalhadoras de saúde grávidas no terceiro trimestre (idealmente em todos os trimestres), a fim de evitar contacto direto com pacientes.

Deixamos os últimos conselhos: Proteja-se, proteja-se, proteja-se!

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