Viajar na gravidez

Escrito por: Ana Margarida Marques
Com os depoimentos e revisão de: Catarina Alves, Enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstétrica.

Planear uma viagem na gravidez pode representar riscos e cuidados para si e para o feto. Fique a conhecer os principais conselhos para viajar em segurança com o bebé na barriga.

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Mais do que pensar qual o meio de transporte ideal para viajar durante a gravidez em segurança, é importante ponderar outros fatores, como a altura da gravidez que se escolhe para viajar e a distância da viagem.

O segundo trimestre é o mais seguro para uma saída de casa. «O primeiro trimestre e o final do terceiro não são muito recomendados para fazer viagens, no primeiro caso por causa do risco de aborto, no segundo, pelo risco de ocorrer o parto», explica a enfermeira especialista em saúde materna e obstétrica Catarina Alves.

É também no segundo trimestre que as mulheres sentem, de forma menos acentuada, algumas das alterações que é normal ocorrerem no corpo, tais como náuseas, inchaços e aumento de peso. Além disso, é a altura em que estão mais bem-dispostas e seguras de si próprias, refere a enfermeira.

Uma boa prática é a grávida verificar com o seu médico quais os riscos de viajar, o que se aplica ainda mais no caso das gravidezes com complicações (por exemplo diabetes, hipertensão, descolamento da placenta). «Nas situações de risco em que a mulher tenha mesmo de fazer a viagem, deve ser acompanhada de alguém que possa prestar-lhe assistência em caso de necessidade», alerta a especialista.

Viajar de carro

A Associação Portuguesa de Segurança Infantil (APSI) recomenda que durante a gravidez a mulher faça a sua vida normal, até um certo ponto. No final da gravidez não são aconselhadas as viagens muito longas e a grávida deve deixar de conduzir, incluindo nas curtas deslocações do dia a dia, pois a proximidade do volante e do airbag pode constituir risco elevado de lesão ou mesmo morte da criança em caso de acidente.

É muito importante usar o cinto de segurança. É um mito pensar-se que magoa o bebé, pois em caso de acidente o embate da barriga contra o tablier tem repercussões graves para o feto, podendo causar a sua morte, sobretudo no final da gravidez, salvaguarda a APSI. É ainda essencial prever paragens de uma hora e meia a duas horas.

Cuidados no comboio e barco

O comboio pode ser uma boa opção para viajar, pois é um meio de transporte estável e com espaço para circular no seu interior. Os acessos nem sempre são fáceis. É preciso acautelar a entrada e saída das carruagens.
Em relação ao barco, depende das condições da embarcação.

Viajar de avião

Caso viaje de avião, a mulher deve informar a companhia aérea de que está grávida. Geralmente as companhias aéreas permitem o transporte de grávidas até às 36 semanas ou em gravidezes de gémeos até às 32 semanas.

É desaconselhado viajar no caso de gravidezes de risco e alto risco, incerteza sobre o tempo de gestação e da data prevista do parto, existência de possíveis complicações no parto, bem como risco de aborto ou aborto recente.

Após as 36 semanas ou sete dias antes do parto, ou no caso de transporte de recém-nascidos, o melhor será solicitar um formulário ao médico e informar-se com antecedência junto da companhia para pedir a autorização dos serviços médicos do transportador. Poderá ter de assinar uma declaração e de ser acompanhada durante a viagem por um médico ou enfermeira.

Dicas práticas

Em viagem é importante ter água e alimentos como pão ou fruta, para o caso de não poder parar para comer. As idas à casa de banho não devem ser adiadas, para evitar infeções urinárias. As roupas devem ser largas e frescas, especialmente em dias quentes. Sobretudo no avião, a grávida nunca se deve descalçar.

Na gravidez o retorno venoso faz-se mais dificilmente, logo também não deve permanecer muito tempo sentada. Outra dica pode ser informar-se se há um médico entre os passageiros a bordo, para o caso de uma urgência. Reserve um lugar confortável para viajar com mais espaço e segurança.

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