“Não existem azares”

Escrito por: Violante Assude
Com os depoimentos e revisão de: Dra. Sandra Nascimento, Psicóloga

Pais atentos podem evitar ou reduzir o número e a gravidade dos acidentes com os seus filhos. Sandra Nascimento, presidente da APSI, explica como.

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A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) desenvolve a sua atividade em cinco eixos distintos: informação aos pais e à comunidade, formação para famílias e profissionais, investigação, participação nos processos de normalização de produtos para crianças e consultoria em legislação. Sandra Nascimento, presidente da APSI, explica a importância da sua atuação.

A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) desenvolve a sua atividade em cinco eixos distintos: informação aos pais e à comunidade, formação para famílias e profissionais, investigação, participação nos processos de normalização de produtos para crianças e consultoria em legislação. Sandra Nascimento, presidente da APSI, explica a importância da sua atuação.

O que é para si o azar?

Não gostamos nada de associar os acidentes ao azar. Quando falamos com as famílias, e até com os profissionais, a questão dos acidentes ainda está muito associada ao azar, a qualquer coisa que está predestinada e que não é possível evitar. Eu diria que não existem azares; o que existe é uma conjugação de fatores que não foram previamente ponderados e que fazem com que a determinada altura aconteça o acidente.

Considera então que a maior parte dos acidentes são evitáveis?

Claro. Há estudos que indicam que cerca de 75 por cento dos acidentes são evitáveis, o que é uma percentagem muito elevada. Quando não é possível evitar os acidentes é sempre possível reduzir as suas consequências.

Qual é a primeira causa de morte em crianças em Portugal?

São os acidentes, sem sombra de dúvida. Isto a partir do primeiro ano de vida. Durante o primeiro ano de vida ainda não são os acidentes, pois há outro tipo de mortalidade associada a complicações no parto, malformações congénitas. Mas a partir do primeiro ano de vida não há qualquer dúvida de que ainda são os acidentes, ainda que nos últimos anos tenha havido uma redução significativa da sinistralidade no geral, quer da mortalidade quer da morbilidade.

Dentro dos acidentes, quais são os que mais matam?

Ainda são os rodoviários. Mais uma vez, houve uma grande evolução nos últimos anos, mas ainda são os rodoviários. Dentro dos rodoviários, cerca de 50 por cento são mortes de criança-passageiro, ou seja, a criança dentro do interior do veículo enquanto passageiro.

Ao longo dos anos de existência da APSI, têm sentido uma alteração de comportamento dos pais para a prevenção do acidente infantil?

Sem dúvida. Não fizemos um estudo sobre os comportamentos, mas quem está na associação há tanto tempo como eu percebe que o nível de informação e de exigência dos pais é cada vez maior, até pelo tipo de questões que nos colocam. Temos cada vez mais pedidos por um lado e são cada vez mais específicos e mais exigentes. Portanto, as pessoas não se contentam com uma resposta qualquer, já não querem saber só se a criança deve levar cadeira, por exemplo, mas já querem saber mais pormenores.

Em relação a outros países, como é que nós estamos em termos de acidentes com crianças?

Estamos a fazer uma evolução positiva, mas quando comparados com outros países ainda estamos na cauda, em algumas áreas.

Que medidas de segurança aconselha à família?

Antes de mais que se preparem para a chegada do bebé, durante a gravidez porque têm muito mais tempo para poder analisar todas as questões de segurança, para poder preparar a sua casa, para poder escolher a cadeira, para alterar comportamentos de risco. Tudo isto, depois do nascimento, vai ser muito mais difícil. A prevenção de acidentes passa sempre pela antecipação, porque no momento em que o acidente acontece muitas vezes não podemos fazer nada; por isso, tudo o que pudermos fazer antes vai com certeza fazer toda a diferença. 

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