Evitar a dermatite da fralda

Com os depoimentos e revisão de: Enf. Margarida Valente, Especialista em Saúde Infantil e Pediátrica.

Fique a par das medidas essenciais para cuidar da pele do bebé e evitar o desconforto causado pelas assaduras.

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A dermatite da fralda, também conhecida por eritema da fralda ou vulgo assadura, é comum nos recém-nascidos. As medidas gerais de cuidados à pele, como a mudança frequente da fralda, a limpeza, a hidratação e a proteção, são os melhores aliados no combate a este problema.

Fisiologia da pele

A pele do bebé, estruturalmente semelhante à do adulto, é menos estratificada, com um pH à nascença mais básico do que ácido, o que a torna mais apetecível aos microorganismos prejudiciais ao bebé.

O vernix caseoso, substancia branca/amarelada, que reveste a pele e pregas cutâneas do recém-nascido, tem uma função protetora, nutritiva, termorreguladora e de prevenção das infeções externas. Não deve ser retirado, a não ser nas situações onde existe mistura com fluidos sanguíneos (normalmente couro cabeludo).

Funções da pele do bebé

A pele atua como uma interface entre o meio interno e o meio ambiente, e oferece funções especiais para a sobrevivência do ser humano.

Para além de revestir externamente o corpo, possui características e uma fisiologia que a identificam como órgão altamente desenvolvido. Não menos importante, a pele desempenha ainda a função do tato, ou sensação tátil, presente desde as 12 semanas de vida intrauterina, sendo o primeiro órgão dos sentidos a estar presente e ativo no embrião.

Esta é uma função extremamente importante no contacto com o mundo e na apreensão das complexas reações neuronais desenvolvidas e registadas no cérebro do bebé. O toque é para os mamíferos uma importante forma de contacto-relação e desenvolvimento emocional e cognitivo. 

Considerando a importância da pele como barreira contra a infeção e ainda o seu papel no controle hídrico e da temperatura, a proteção e a preservação da pele do recém-nascido é decisiva para a sua saúde. Por tudo isto, vamos mimá-la, cuidá-la e tratá-la com grande respeito e carinho, não é verdade pais?

Causas da dermatite

Alguns bebés parecem ter maior tendência para desenvolver dermatite da fralda, enquanto noutros é raro; mas ambos os grupos se livram deste problema pela altura em que largam a fralda. Qual a causa? O contacto prolongado e a exposição à urina e fezes, nesta zona, provocam uma reação irritativa e dano na pele. 

Atualmente, a dermatite da área da fralda irritativa é interpretada como o resultado final de uma cascata de eventos, desencadeada inicialmente por lesões no nível do estrato córneo, induzidas por exposição a múltiplos fatores como a hiperhidratação, fricção, temperatura, irritantes químicos, urina e fezes.

Após comprometimento da barreira cutânea, vários fatores adicionais do mesmo tipo potencializam essas alterações, originando um ciclo vicioso vulnerável às infeções por agentes microbianos oportunistas, como Candida albicans, que é um fator agravante frequente.

Impacto das fraldas

As fraldas descartáveis modernas possuem três camadas: uma interna que funciona como filtro, uma intermediária com capacidade de absorção de líquidos e, finalmente, uma externa à prova de água.

Esta última camada tem papel fundamental na impermeabilidade da fralda, porém previne a perspiração, o que aumenta a temperatura e humidade locais.

Por outro lado, as fraldas modernas são mais oclusivas, sendo responsáveis pelos casos raros de dermatite de contacto alérgica.

A fralda ideal deveria ter boa capacidade de conter água, permitir bom arejamento (menos oclusiva) e mudar de cor imediatamente após a criança urinar. Essa fralda ainda não existe.

A infeção a bactérias “más”, de outros locais da pele ou mucosas, transportadas pelas nossas mãos mal lavadas durante a mudança da fralda, são situações que podem levar ao aparecimento desta dermatite.

Outros distúrbios do funcionamento normal da pele, como a psoríase e a dermatite atópica, (esta última com fisiologia diferente), podem também condicionar o seu aparecimento.

Uma questão colocada muitas vezes tem a ver com a possível influência dos produtos de lavagem da roupa dos bebés ou das fraldas, quando se usam fraldas não descartáveis, no aparecimento desta dermatite.

Segundo os estudos disponíveis, os produtos de lavagem da roupa de bebés, quando se opta por fraldas de algodão, não parecem ter influência neste problema, desde que se use um detergente suave e pouco concentrado, e se promova um enxaguamento correto.

No que diz respeito à opção por um ou outro tipo de fralda, mais uma vez, os prós e contras emergem dos dois lados. Se, por um lado, as fraldas descartáveis, constituídas por camadas de material ultra-absorvente, parecem manter o rabinho do bebé seco por mais tempo, também é verdade que os elásticos que reforçam a retenção em determinadas zonas da fralda, são eles próprios o primeiro local onde os sinais de vermelhidão surgem.

Uma questão é certa: a mudança da fralda, seja descartável, de algodão ou ecológica, tem de ser frequente, de forma a minimizar o tempo de contacto com a urina e fezes.

Mudança e limpeza

A cultura e os hábitos de mudança de fralda variam de seis a doze vezes em pontos diferentes do mundo, sendo os japoneses os campeões do consumo de fraldas (média de doze mudanças por dia por bebé).

Em Portugal, é normalmente recomendada a mudança por cada mamada/refeição, o que pode significar entre seis a oito vezes por dia nos bebés amamentados, sendo também de referir, mais uma vez, a amamentação materna como fator protetor também nesta situação.

É importante que os pais conheçam ainda as fases dos “cocós” e suas características, de forma a identificar, pelas características visíveis, fezes possivelmente mais ácidas. Da mesma forma, em altura de tomada de antibióticos ou de diarreia, é preciso estar mais atento à mudança da fralda.

O tempo de oclusão parece ser um fator negativo, uma vez que em contacto como o ar, a maior parte das dermatites tende a desaparecer, sendo a primeira medida antes da utilização de medicamentos.

Nas crianças maiores ainda em uso de fralda, mudar sempre antes de ir para a cama, limpar em cada muda e usar água quente ou morna para a remoção total da urina e fezes, incluindo pregas inguinais e genitais, é também uma medida a não descurar.

Hidratação e proteção

A utilização de cremes barreira, não necessária por rotina em todas as mudas da fralda, deve ser iniciada à menor irritação da pele nesta zona, sendo que as pomadas/cremes muitos oclusivos podem ter de ser retiradas com óleo ou água mineral, para que se possa proceder à limpeza correta e nova aplicação.

Em relação aos cremes, existem inúmeras soluções no mercado, mas sem dúvida, os cremes com vitamina A, mas suficientemente emolientes, são uma boa opção.

A última geração de cremes barreira com adição de prebioticos parece ser uma ajuda fundamental, uma vez que reequilibram a flora local, ajudando a eliminar os microorganismos nocivos da flora transitória (à superfície da pele), reforçando os microorganismos bons da flora residente (camadas de pele mais profundas).

Por prescrição do pediatra, (e só), nalguns casos de dermatite mais resistentes ao tratamento com o recurso às medidas básicas (mudança frequente de fralda, limpeza, hidratação e proteção, exposição ao ar); podem ser aplicados medicamentos em creme com esteroide ou antifúngicos, (neste caso – infeção secundaria), por um prazo curto de tempo e com ensino prévio sobre como aplicar nesta zona tão sensível.

A dermatite da área da fralda irritativa primária é a dermatite da área da fralda mais prevalente, sendo provavelmente a afeção cutânea mais frequente na primeira infância e constituindo fonte significativa de desconforto para a criança.

É importante que os pais e cuidadores estejam atentos aos fatores de risco, ao aparecimento, e iniciem os primeiros cuidados.

Cuidados de prevenção:

- Mude a fralda ao bebé com frequência, entre seis a oito vezes por dia, de forma a evitar que este passe muito tempo em contacto com a urina e as fezes.

- Tente conhecer as várias fases dos “cocós” e as suas características, de forma a identificar eventuais problemas.

- Tenha especial atenção às alturas em que a criança está a tomar antibióticos ou está com diarreia.

- Nas crianças maiores, mude sempre a fralda antes de ir para a cama, limpando-a em cada muda e usando água quente ou morna para a remoção total de urina e de fezes.

- Utilize um creme barreira à menor irritação da pele nesta zona.

- Cada vez que fizer uma nova aplicação de creme, certifique-se de que retira com óleo ou água mineral eventuais vestígios de creme colocado anteriormente.

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