À conversa com Mário Cordeiro

Escrito por: Ana Margarida Marques
Com os depoimentos e revisão de: Professor Doutor Mário Cordeiro, Pediatra

A consulta pré-natal vai ajudar os próprios pais e a criança que vai nascer, explica o pediatra Mário Cordeiro.

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A consulta pediátrica pré-natal é o primeiro contacto entre o médico e os pais. Realizada entre as 32 e 35 semanas de gestação, a consulta tem o objetivo de recolher informação básica sobre a saúde dos pais e da gravidez . O pediatra aconselha sobre os primeiros tempos de vida do bebé e esclarece as principais dúvidas dos pais.

A consulta pediátrica pré-natal é o primeiro contacto entre o médico e os pais. Realizada entre as 32 e 35 semanas de gestação, a consulta tem o objetivo de recolher informação básica sobre a saúde dos pais e da gravidez . O pediatra aconselha sobre os primeiros tempos de vida do bebé e esclarece as principais dúvidas dos pais. 

Qual é a importância da consulta pediátrica pré-natal?

É esclarecer algo tão básico que parece que todos já o sabemos: perceber o que é uma criança e o que representa para os pais. Durante duas horas costumo fazer com os pais uma “viagem”.  Os pais começam a entender‑se melhor a si próprios, os comportamentos, as angústias e os medos, a compreender melhor o relacionamento com os seus próprios pais.

Que temas devem ser abordados na consulta com o pediatra?

Os temas a abordar na consulta são relacionados com a amamentação, o sono ou a higiene do bebé. Muitos pais têm noções que não são cientificamente corretas, resultantes de práticas erradas que ouvem.

Pode dar um exemplo de noções pouco corretas?

Dizer-se que não é preciso dar água aos bebés ou deitar os bebés de lado, como é prática nalgumas maternidades. As normas da Direcção-Geral da Saúde referem que os bebés devem ser deitados de costas. Algo que se diz muito, também, é que o bebé não deve sair à rua antes de um mês de vida, a não ser para ir ao centro de saúde ou ao pediatra. Em casa o bebé cansa-se muito mais do que se estiver na rua. Quando nascemos, na idade dos nossos genes, nada disto existe, ao passo que lá fora sim – as árvores, o céu, o mar, o que for, isso está na nossa memória antropológica.

Quais as dificuldades dos pais no regresso a casa?

Os pais devem saber o que pode vir a perturbar a sua vida familiar. Há fenómenos que podem causar mal-estar e pesar na intimidade dos momentos do casal com o bebé após o regresso na maternidade e os primeiros dias em casa. Por exemplo, as visitas e todo o ruído em torno dos pais. Há uma tentativa de “roubo” do bebé pelas pessoas da família, os amigos, as enfermeiras na maternidade. Os pais sentem a sua função menosprezada. É difícil para uma mulher que acabou de ter o bebé, outra pegar nele – pode ser a mãe, a tia, a avó, não tem a ver com as pessoas em si.

Os pais devem reagir a esses momentos de intrusão?

Se se aproximar de uma cadela com as suas crias, verá como ela reage caso pegue num dos cachorros. É pena que às vezes as mães humanas não reajam da mesma maneira. Penso que as mães deveriam ser mais leoas do que são. Se não reagem logo, elas ficam enervadas, angustiadas e com a sua confiança debilitada.

Hoje em dia os pais são muito informados ou desinformados?

Hoje em dia a informação consegue-se à distância de um clique, mas isso não chega. Por vezes, a informação é maciça. Os pais estão superinformados, mas têm pouco conhecimento e sabedoria. Outras vezes, a informação que recebem não é a mais correta.

O que pode ser dito aos casais que não têm a oportunidade de contactar um médico pediatra?

O que interessa não é haver o acompanhamento de um médico pediatra, mas que seja – falando de médicos – um médico disponível e interessado, que seja conhecedor e que tenha tempo, que saiba detetar situações de risco ou de doença na criança. É indiferente ser um pediatra ou médico de família, conheço casos de sucesso e de insucesso nas duas possibilidades. Além disso, mais de metade das crianças em Portugal são assistidas por médicos de família.

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