Vitaminas na gravidez

Escrito por: Joana Leitão
Com os depoimentos e revisão de: Dra. Fátima Romão, Ginecologista-Obstetra. 

Conheça as recomendações da obstetra Fátima Romão relativamente à toma de vitaminas antes e durante o período de gestação.

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Tomar vitaminas por auto-recriação é um exemplo do que a grávida não deve fazer, defende a obstetra Fátima Romão. Às muitas grávidas que chegam ao seu consultório, a especialista recomenda uma alimentação equilibrada e um estreito acompanhamento médico. 

Quais são as grávidas que precisam de vitaminas?

São as carenciadas, com um índice de massa corporal baixo e que por alguma razão não aumentam de peso. É raro começar a aconselhar vitaminas logo no princípio da gravidez, até porque se trata da fecundação, a conceção, a nidação do ovo, portanto não há um grande desenvolvimento fetal e consequentemente uma grande sobrecarga da mãe.

Quando aconselha?

A partir do segundo trimestre, por vezes, temos de introduzir sobretudo ferro. Já o ácido fólico começa a ser introduzido ainda antes, por causa do desenvolvimento celular e das más formações do tubo neural.

Pode dizer-se que o ácido fólico é a vitamina de ouro da grávida?

Essa vitamina é obrigatória e de preferência antes da conceção. O ideal é começar com o ácido fólico na consulta pré-concecional. Depois temos, como já referi, o ferro no início do segundo trimestre. Por melhor que coma, em termos de desenvolvimento, a grávida precisa sempre de um bocadinho mais de ferro.

Vitaminas essencias são...

Cálcio. É fundamental, porque precisamos de ossos fortes para o nosso recém-nascido. Ferro e ácido fólico. O complexo B também é importante no que toca à parte neurológica, principamente com bebés grandes que imprimem uma grande compressão ciática, dando dores à mãe e dificuldades em andar. Contudo, cada caso é um caso.

Há perigo de sobredosagem vitamínica?

Não creio. As vitaminas hoje estão mais bem doseadas, melhor que antigamente, em função das necessidades e das carências da grávida. Além de que as mulheres hoje estão mais informadas.

Mas há grávidas que tomam vitaminas sem indicação médica...

Não o devem fazer, mas não é fácil controlar esse tipo de atitudes. Há um fácil acesso a informação sobre vitaminas, seja pelo visionamento na TV ou através das amigas. A gravidez é um estado muito comparativo. E a publicidade dos polivitamínicos é muito acessível e apelativa. Mas há grávidas que não precisam.

Assim, uma alimentação equilibrada tem a dose vitamínica necessária?

Para ter uma ideia, basta uma peça de fruta por dia para obter quase todas as vitaminas necessárias. Reforço a ideia: as vitaminas devem ser tomadas apenas por indicação médica e nas doses ideais. Uma hipervitaminose é pior do que a falta de vitaminas.

Mas acredita que existe essa forte “tentação”?

Sim, essencialmente por parte dos familiares que nos perguntam se devem dar, achando que a grávida precisa. Continua a existir o mito de que a grávida deve comer por dois e que quanto mais gordinha melhor, o que não é verdade, porque pode comer muito à base de gordura, o que para o feto é muito prejudicial.

Em quanto estima o peso ideal?

Controlamos o peso mensalmente. Todos os meses a grávida “vai ao castigo” e às vezes até quer pôr cunhas, dizendo que na sua balança pesava menos… Aqui também mudamos um pouco a nossa teoria. Dantes o American College estimava uma média de 10/12 quilos, o que para algumas grávidas é ótimo, e para outras é pouco. Agora a tendência é olharmos para o peso e altura da grávida – índice de massa corporal – antes da conceção.

E assim se define o aumento de peso aceitável durante a gravidez?

É em função do peso da grávida antes da conceção que decidimos quanto é que ela deverá aumentar. Na primeira metade da gravidez, mais ou menos três a quatro quilos, porque vomita, está mal disposta e porque há uma adaptação do organismo e uma quebra de energia. Isto já a entrar no segundo trimestre.

Esta é umas das alturas propícias à procura de vitaminas?

É, embora a grávida possa não precisar, como já referi. Há aqui um outro aspeto que é o de tentarmos evitar bebés demasiado grandes para a idade gestacional. Queremos que saiam pela via certa, com o tamanho certo e com as defesas naturais. Com um bebé muito grande há uma maior probabilidade de uma cesariana, um parto com fórceps ou ventosas. Tamanho não é sinónimo de saúde.

Isso combate-se de que forma?

É essencial fazer um bom programa de gravidez, idealizá-la. Por norma, as pessoas programam a gravidez de um prisma económico, mais preocupadas com a vertente profissional do que com a da saúde. As análises pré-concecionais são fundamentais, assim como a observação (para corrigir alguma infeção) e o exercício físico moderado. Até para engravidar o exercício tem efeitos milagrosos.

Como caracteriza as grávidas que vêm ao seu consultório?

Algumas são muito cumpridoras. Tanto que nem acreditamos que consigam cumprir tudo o que prometem. Outras há em que estamos nove meses a pregar aos peixes, que fazem alguns disparates. Ainda por cima apoiadas pela família…

Refere-se aos maridos?

À mãe, à avó e, claro, muito mimadas pelos maridos, que por vezes também se deixam levar por uma alimentação desequilibrada. Eles às vezes parecem mais grávidos do que elas. Mas é preciso educá-los.

Como?

Pedindo-lhes que vão ao supermercado e que vejam as tabelas dos alimentos. Escolhendo os iogurtes adequados, por exemplo. Isso hoje é mais fácil, há mais oferta e até se pode comprar pela Internet. Se tivermos cuidado, mesmo com menos custos financeiros, é possível fazer uma boa alimentação.

A grávida dá-se facilmente à mudança?

A gravidez continua a ser, de facto, um bom estímulo para mudar, para bem dos nossos filhos. Por exemplo, muitas mulheres alteram hábitos tabágicos nesta altura. E é muito importante, porque o tabaco causa uma menor oxigenação fetal com baixo peso para o feto, fragilizando-o logo à nascença.

Voltando à alimentação, do que deve a grávida abusar?

Laticínios, cálcio, cereais. A grande carência na grávida é o cálcio. Deve beber uma média de três copos de leite por dia. É fundamental recomendarmos o leitinho da manhã, dois iogurtes durante o dia e um copo de leite ao deitar. É quase regra de ouro. Pode ser leite de soja, apesar de não ser tão económico. Mas também os cereais têm cálcio, os brócolos, o feijão, entre outros.

O que deve mesmo evitar?

Comer alimentos calóricos, à base de gorduras. A gordura é inimiga da parte proteica. Simula proteínas porque tira a fome, mas está a roubar-nos as proteínas de que precisamos.

Acerca do chocolate, tão famoso por reduzir a ansiedade...

Se for mais escuro e se forem só dois quadradinhos não faz mal. Até o feto fica todo contente! Quando fazemos o cardiotocografia (CTG), às vezes damos-lhe um pouco de chocolate e ficam logo mais ativos. O obstetra não pode ser demasiado rígido. Mas convém não abusar. Há outros métodos para ultrapassar a ansiedade, como um comprimido ou a prática de ioga.

Uma gravidez medicamente acompanhada tem menos riscos?

Acredito que quando acompanhada, a grávida tem muito menos probabilidades de ter complicações no parto e o pós-parto do que a que não é acompanhada. As gravidezes mal vigiadas são, de facto, as que têm mais complicações.

E uma gravidez bem preparada?

É o ideal. Mas continuam a aparecer aqui senhoras já muito grávidas. Defendo um processo cuidado, uma alimentação equilibrada, diversificada, exercício físico moderado. Resta, depois, proceder às adaptações necessárias a cada caso.

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