Procurar o equilíbrio nutricional

Escrito por: Paula Braga
Com os depoimentos e revisão de: Maria Ana Carvalho, Nutricionista.

A uma alimentação completa e variada, a DGS recomenda uma suplementação em ácido fólico, iodo e ferro para proporcionar um desenvolvimento adequado do feto. Conheça os nutrientes mais indicados de acordo com a fase de gestação.

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O conhecimento atual tem demonstrado que a saúde do filho começa, em grande medida, a ser definida durante a vida intrauterina, pelo que uma gravidez programada e assistida pelos profissionais de saúde especializados traz vantagens tanto para a saúde da mãe como do filho. As necessidades nutricionais requerem igualmente um acompanhamento profissional porque aumentam substancialmente nas três fases da gestação (preconceção, gravidez e mesmo amamentação), com o objetivo de apoiar o desenvolvimento e o crescimento do bebé assim como o metabolismo materno. É, portanto, fundamental procurar o equilíbrio nutricional para eliminar baixos índices de nutrientes e proporcionar um desenvolvimento adequado do feto/futuro recém-nascido.

De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), a mulher antes de engravidar deve iniciar um suplemento vitamínico que inclui o ácido fólico e, mais recentemente, o iodo por estar comprovado que a dieta alimentar portuguesa carece também deste nutriente. Ao longo de toda a gestação, mas em particular no segundo e terceiro trimestres, está ainda recomendada a suplementação em ferro.

Ácido fólico três meses antes, três meses depois

O ácido fólico é essencial à multiplicação celular e desempenha um papel chave na redução do risco de desenvolvimento de malformações do tubo neural do bebé. As doenças relacionadas com o tubo neural são patologias graves como a espinha bífida e anencefalia.

A DGS recomenda o aumento do consumo de frutos (laranja) e hortícolas ricos nesta vitamina (brócolos, couves de Bruxelas), bem como a utilização de cereais integrais (pão, massa e arroz integral) e leguminosas (lentilhas, ervilhas, feijão, grão-de-bico, favas). Para reforçar a parte alimentar, que é insuficiente para cumprir as recomendações nutricionais de 600 microgramas de ácido fólico por dia, é necessário complementar com um suplemento vitamínico que, segundo as normas da DGS, dever ser iniciado pelo menos 2 meses antes da data da interrupção do método contracetivo e mantido durante a gravidez.

Iodo antes, durante e depois

As necessidades de iodo durante a gravidez estão também ampliadas por ser necessário aumentar a produção das Hormonas Tiroideias para manter o normal metabolismo nesta fase; por existir uma transferência de parte destas hormonas e de iodo para o embrião e o feto e pelo aumento do volume diário de urina durante a gravidez, o que origina maiores perdas de iodo.

A maioria do iodo que necessitamos para produzir as Hormonas Tiroideias provém da dieta alimentar, sendo a ingestão de peixes capturados no mar e não de aquacultura uma das principais fontes de iodo. Acresce ainda os crustáceos, as algas, leguminosas e hortícolas, a carne, o leite e seus derivados e o sal iodado. Contudo, a Orientação da Direção-Geral da Saúde publicada em 2013, com base nas diretivas internacionais da Organização Mundial da Saúde, propõe que, “mesmo com uma dieta adequada e rica em produtos potencialmente fornecedores de iodo, todas as mulheres em preconceção, grávidas ou a amamentar (desde que não apresentem contraindicação clínica) devem receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio – desde o período preconcecional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo”. Uma vez que a dieta portuguesa é atualmente pobre em iodo, a DGS recomenda que se proceda à suplementação com 150/200 microgramas de iodo diários, para não comprometer o desenvolvimento cognitivo do bebé.

A amamentação exclusiva carece igualmente de um aporte superior de iodo, tal como na gravidez, por forma a completar as necessidades da mãe que amamenta e assegurar o normal desenvolvimento cerebral do bebé. “Nesta fase, o iodo é o único nutriente que está recomendado para ser suplementado no pós-parto. O objetivo desta suplementação prende-se com o facto do desenvolvimento cognitivo do bebé ocorrer maioritariamente entre o período de gestação e os dois, três anos de vida da criança. Daí que a suplementação da mãe seja muito importante porque o bebé recebe o leite com a quantidade de iodo que a mãe consome”, esclarece a nutricionista Maria Ana Carvalho.

Ferro durante os nove meses da gravidez

As recomendações alimentares para o período da gravidez são diferentes das recomendações alimentares para a mulher no geral. A grávida tem necessidades aumentadas de energia e de nutrientes dependendo do trimestre em que se encontra. Contudo, há alguns nutrientes que são necessários e importantes durante toda a gestação, como é o caso do ferro, que, fazendo parte da constituição da hemoglobina, molécula responsável pela ligação do oxigénio dentro dos glóbulos vermelhos, tem importância fulcral para o aporte de oxigénio ao bebé, essencial para o seu crescimento. De acordo com a DGS, “o défice deste mineral pode dar origem a recém-nascidos de baixo peso, prematuridade e mortalidade perinatal, bem como perturbações na formação e organização neuronial”. Na mãe a deficiência de ferro provoca anemia, doença que pode ter consequências graves também para a saúde da mãe na gravidez e no pós-parto.

A DGS recomenda a ingestão diária de 27 microgramas de ferro durante a gravidez, em especial na segunda metade do período de gestação. Paralelamente à toma de suplementos deste mineral, os quais devem ser tomados sempre de acordo com supervisão médica, também constituem boas fontes de ferro alimentos de origem animal, como a carne e o peixe, ovos, leguminosas e hortícolas de folha verde escura.

Para a grávida alcançar um equilíbrio nutricional deve ter em conta as recomendações alimentares referidas e aconselhar-se com o profissional de saúde que a acompanha na gestação relativamente aos suplementos vitamínicos, essenciais para superar as carências nutricionais que não são fornecidas através da dieta alimentar.

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