A importância do iodo

Escrito por: Ana Margarida Marques

As mulheres devem ter uma adequada reserva de iodo antes de engravidar, durante a gravidez e enquanto amamentarem os seus bebés, segundo as recomendações da Direção-Geral da Saúde.

A importância  do iodo class=

As mulheres em preconceção, grávidas ou a amamentar devem receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio (150 a 200 microgramas), desde o período preconcecional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo, pelo que deverá ser prescrito o medicamento com a substância ativa de iodeto de potássio na dose devidamente ajustada”. A recomendação é da Direção-Geral da Saúde (DGS) numa orientação emitida a 26 de agosto de 2013.

Iodo nas grávidas e lactentes

De acordo com a DGS, estudos demonstram que a suplementação com iodo permite atingir os valores recomendados nas grávidas e nas lactantes. A importância da suplementação com iodo relaciona-se com a evidência de que, refere a orientação da DGS, “durante a preconceção, gravidez e amamentação impõe-se uma adequada ingestão de iodo necessária para completar as necessidades da grávida, para a maturação do sistema nervoso central do feto e para o seu adequado desenvolvimento”. De acordo com a DGS, o iodo é um componente das hormonas da tiroide, que são responsáveis pela regulação do metabolismo celular e desempenham um papel determinante no crescimento e no desenvolvimento dos órgãos, sobretudo do cérebro. As reservas de iodo nas futuras mães têm um papel determinante já que “nos seres humanos, o máximo crescimento e desenvolvimento cerebral ocorre durante o período fetal e nos dois ou três primeiros anos de vida”.

Iodo nas crianças

Nas crianças com aleitamento materno exclusivo entre os 0 e os 6 meses, o aporte de iodo é feito através do leite materno, lembra a DGS. Já “as crianças alimentadas com substitutos do leite materno recebem a dose diária recomendada de iodo através da fortificação da fórmula para lactentes”.

Deficiência de iodo

A DGS determina que as grávidas e as lactentes são um grupo de risco para a carência de iodo.

Estudos apontam inclusive para a existência de deficiência de iodo em populações de risco em Portugal, nomeadamente em grávidas e lactantes. Num estudo realizado com 3631 grávidas em 17 maternidades, do Interior, Litoral e Regiões Autónomas de Portugal verificou-se que o aporte de iodo é insuficiente de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Segundo a investigação, 83% das grávidas do Continente consome menos iodo do que é aconselhado e só 17% apresenta valores adequados. Os valores obtidos nas Regiões Autónomas são inferiores aos registados no Continente. Na Madeira 92% das grávidas apresentam níveis inadequados e nos Açores a percentagem de grávidas com valores insuficientes ascende a 99%.

Cuidar a alimentação

As necessidades diárias de iodo são variáveis ao longo da vida. A dose diária recomendada para as crianças entre os 0 e os 5 anos é de 90 microgramas/dia, entre os 6 e os 12 anos é de 120 microgramas/dia e para os adolescentes e adultos é de 150 microgramas/dia.

De acordo com a norma, há evidências científicas de que a suplementação com iodo de 250 microgramas/dia permite assegurar as necessidades diárias de iodo nas grávidas e nas lactantes, mas a DGS aconselha a ingestão apropriada de iodo através de uma alimentação variada, que inclua alimentos que sejam fontes de iodo, e da substituição do sal comum por sal iodado.

Os alimentos que contêm mais iodo são as algas, o peixe, o leite e seus derivados e alguns produtos hortícolas, de acordo com a DGS, sendo que a concentração de iodo nos alimentos depende de muitos fatores como o teor de iodo na água e nos solos, o uso de desinfetantes iodados na indústria alimentar e o uso na agricultura de fertilizantes ricos em iodo.

Utilização de sal iodado

A substituição do sal comum, tradicionalmente usado na cozinha, por “sal iodado” é outra recomendação da DGS.

De acordo com a norma, a utilização de sal iodado (20-40 mg de iodo por quilo de sal) é uma prática comum e segura, cobrindo já 2/3 da população mundial, e que poderá suprimir a necessidade de suplementação específica nas grávidas e lactentes.

Objetivos futuros

Com esta orientação, a DGS pretende assegurar que as mulheres em situação de risco recebam suplementos de iodo no início da gravidez, procurando dar uma resposta eficaz a quem necessita. Contudo, este mesmo objetivo, embora seja considerado importante na atualidade, poderá ser “eventualmente temporário”, uma vez que o panorama ideal seria as mulheres terem uma adequada reserva de iodo antes de engravidarem, refere a DGS. A orientação é dirigida aos profissionais de saúde, sendo aconselhável que a grávida esclareça as suas dúvidas junto do seu médico. 

Outros Artigos deste tema

Subscreva a Newsletter

Receba informação semanal adaptada ao desenvolvimento da sua gravidez.