Exames e Análises na Gravidez

Escrito por: Iolanda Veríssimo
Com os depoimentos e revisão de: Normas e orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS)

Conheça o plano de cuidados de vigilância médica que permitem monitorizar e proteger a saúde da mãe e do bebé.

Exames e Análises na Gravidez class=

A realização de exames de rastreio ou diagnóstico pré-natal fazem parte dos cuidados de vigilância médica que devem ser seguidos ao longo de toda a gravidez. O objetivo destes cuidados é avaliar o bem-estar da mãe e do feto, e fazer o diagnóstico precoce de problemas que possam afetar a evolução normal da gravidez.

Apesar de haver um conjunto de normas relativas aos exames e análises que devem ser feitos durante o período de gestação e no pós-parto, os cuidados de vigilância devem ser adaptados a cada grávida. Quando são identificados fatores de risco, como hipertensão arterial ou obesidade, torna-se necessária uma adaptação da vigilância, nomeadamente através de um planeamento personalizado dos exames a realizar e de uma vigilância mais apertada.

Análises de rotina

Numa gravidez de baixo risco, o médico obstetra prescreve análises regulares ao sangue e à urina para avaliar o estado de saúde da grávida e fazer o rastreio de infeções que possam afetar o bebé. É também prescrita a realização de ecografias, uma em cada trimestre, para acompanhar o desenvolvimento e estado de saúde do feto, e avaliar se a gravidez está a evoluir normalmente.

Primeiro trimestre

Há uma série de exames e análises de rotina que são feitos logo na primeira consulta, realizada obrigatoriamente no primeiro trimestre de gravidez. É nesta ocasião que o médico procede a um exame objetivo geral e ginecológico, através de uma citologia cervical (se a última tiver sido realizada há mais de um ano) , e fornece à grávida o Boletim de Saúde da Grávida, um pequeno livro verde destinado a registar todos os dados clínicos (exames, análises, observações obtidas nas consultas) relativos à saúde da mãe e do bebé.

Rastreios

A Direção-Geral da Saúde (DGS) prevê que, entre os rastreios analíticos realizados no primeiro trimestre de gravidez, estejam:

  • as análises de avaliação do estado geral da grávida (hemograma completo, análises à glicemia em jejum). A avaliação da função renal, hepática e tiroideia também podem estar recomendadas;
  • a tipagem sanguínea, com a caracterização do grupo de sangue e fator Rh;
  • as análises imunológicas (rubéola, toxoplasmose, hepatites B e C, entre outros);
  • a avaliação de fatores infeciosos, através de urocultura (ver quadro de
  • rastreios analíticos abaixo).

rastreios

Ecografia com translucência da nuca

A primeira ecografia deve ser realizada entre as 11 e as 13 semanas e 6 dias de gravidez
(ver quadro das ecografias obstétricas). Este exame permitirá datar a gravidez, saber o número de fetos e placentas, confirmar a presença de movimentos cardíacos do feto e detetar problemas numa fase inicial. A medida da translucência da nuca é um ponto especialmente importante da ecografia, pois constitui um marcador ecográfico de alterações dos cromossomas, como a trissomia 21.

Rastreio Bioquímico

Há também um conjunto de análises adicionais que a grávida poderá optar por fazer com vista ao rastreio de aneuploidias (presença de número anormal de cromossomas no feto – trissomia 21, 13 e 18). Estas análises, que constituem o rastreio bioquímico, não são comparticipadas pelo Serviço Nacional de Saúde, e podem ser realizadas entre as 11 semanas e 6 dias e as 13 semanas e 6 dias de gestação.

Se os resultados deste rastreio revelarem uma probabilidade alta de ter cromossomopatia, o médico poderá aconselhar a fazer uma amniocentese, para obter um diagnóstico mais seguro em relação a problemas cromossómicos ou genéticos.

Segundo trimestre

Quando chega ao segundo trimestre de gestação, a grávida deve repetir alguns dos exames realizados no primeiro trimestre, nomeadamente os exames laboratoriais ao sangue e à urina, assim como as serologias para o rastreio de doenças como a toxoplasmose, a hepatite B ou o vírus da imunodeficiência humana (HIV). É também neste trimestre que se faz o rastreio de Diabetes Gestacional, através da realização da Prova de Tolerância à Glicose Oral - PTGO, entre as 24 e as 28 semanas. . Esta análise é realizada por todas as grávidas que fizeram as análises à glicemia em jejum no primeiro trimestre, e cujos resultados foram negativos. As grávidas que já foram diagnosticadas com Diabetes Gestacional nas análises do primeiro trimestre já não necessitam de realizar a segunda prova.

Amniocentese

Quando a mulher tem mais de 35 anos, um historial familiar de parentes diretos com cromossomopatia, ou nas situações em que os exames mostraram uma translucência da nuca aumentada, o médico obstetra pode pedir a realização de uma amniocentese, também indicada quando o resultado do rastreio bioquímico é positivo. Este exame consiste na punção e extração de líquido amniótico, com o principal objetivo de diagnosticar doenças cromossomáticas.

Caso se justifique, o procedimento é feito por volta das 15-16 semanas de gravidez.

Ecografia morfológica

Entre as 20 e as 22 semanas e 6 dias de gravidez, é realizada uma ecografia que estuda a morfologia do bebé e avalia o seu crescimento, permitindo confirmar alguns dados da ecografia do primeiro trimestre e identificar eventuais malformações no feto.

Terceiro trimestre

Na fase final da gravidez, repetem-se os exames e análises para avaliar o estado geral de saúde da mãe e perceber se com o bebé está tudo a correr dentro da normalidade. É também neste trimestre, entre a 35ª e a 37ª semana de gravidez, que se faz a análise ao exsudado (corrimento) vaginal, para a deteção da bactéria Estreptococos do grupo B (a partir das 35 semanas) que pode originar infeções perinatais graves.

Saber a posição do bebé

A ecografia do terceiro trimestre , a realizar entre as 30 e as 32 semanas e 6 dias de gravidez, avalia, entre outros parâmetros, o crescimento, bem-estar do bebé e o volume de líquido amniótico. É a partir da avaliação do crescimento feita nesta ecografia que se estima o peso que o bebé vai ter no momento do parto. A posição do bebé, ou seja, se está de cabeça para baixo (em apresentação cefálica) ou sentado (apresentação pélvica) e a localização da placenta também são dados importantes desta ecografia.

Avaliar o bem-estar fetal

Por fim, por volta das 37-38 semanas de gestação (numa gravidez de risco deve ser mais cedo), inicia-se a avaliação do bem-estar fetal, com recurso ao cardiotocografia (CTG), um exame simples e não invasivo, que monitoriza o bem-estar do feto através da medição da frequência cardíaca do bebé e também regista as contrações do útero. Este exame fornece informação importante em relação ao bebé, permitindo ao médico avaliar, por exemplo, se há alguma insuficiência na oxigenação cerebral do feto.

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