Cuidar da saúde do períneo

Escrito por: Ana Margarida Marques
Com os depoimentos e revisão de: Dra. Laira Ramos, fisioterapeuta especialista em Uroginecologia.

Laira Ramos explica como a fisioterapia especializada age na prevenção e no tratamento de patologias resultantes da gravidez e do parto.

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O períneo desempenha uma função fundamental, em particular na saúde da mulher. É um conjunto de músculos que são especialmente solicitados durante a gravidez e o parto, já que têm a função de sustentar o útero, a bexiga e o reto. Estes músculos encontram-se nas proximidades da uretra, da vagina e do ânus, estando localizados na parte inferior da bacia, entre o osso púbico e o sacro e cóccix.

As alterações hormonais e morfológicas que o corpo sofre durante a gravidez podem levar a problemas graves no períneo, também chamado pavimento pélvico. O ideal é que antes da gravidez ou no primeiro trimestre a mulher realize uma avaliação com um especialista adequado.

A fisioterapeuta, especialista em Uroginecologia, Laira Ramos explica o motivo: «O útero da mulher pesa em média cinquenta gramas, enquanto na gravidez chega a pesar cinco quilos». Isto faz com que este período leve a uma sobrecarga significativa no pavimento pélvico. Daí que, pelo menos três meses antes de se engravidar, seja importante assegurar a capacidade destes músculos suportarem a carga de peso adicional. «É importante lembrar que devem ser músculos avaliados e tratados como quaisquer outros do nosso corpo», frisa.

Incontinência urinária, incontinência fecal, prolapsos (descidas dos órgãos), obstipação, dores pélvicas ou disfunções sexuais são alguns dos problemas, cuja origem se encontra no enfraquecimento ou lassidão da musculatura do períneo.

O período pré-natal

As mulheres devem contrair o seu períneo desde a puberdade e ao longo da sua vida. «Por exemplo, na Índia as meninas fazem isto desde sempre! É um hábito cultural, uma rotina como outra qualquer», afirma Laira Ramos, fundadora do site www.perineo.info. Já no Ocidente, por motivos de índole social e cultural, a esmagadora maioria das mulheres não tem esta consciência corporal ao longo da vida. Como explica, as pessoas geralmente não estão despertas para tal necessidade e muitas das que a conhecem não sabem «onde» e «como contrair».

Segundo a terapeuta, existem diferentes formas de aprender a fazer contração do períneo. São os fisioterapeutas, com formação específica, que geralmente acompanham o processo de aprendizagem. O principal desafio é conseguir que haja, da parte da mulher, a perceção e a sensibilidade para contrair os músculos corretos.

Na consulta, realiza-se o toque vaginal ou introduz-se uma sonda dentro da vagina para ajudar a mulher a ter a percepção necessária para contrair e para relaxar os músculos de suporte do útero, da bexiga e do recto. É assim que, na fisioterapia, se aprende a realizar correctamente os também chamados exercícios de Kegel. O mais importante é que haja, em casa, uma continuidade do trabalho realizado na consulta com o profissional, acrescenta a especialista.

Hoje em dia começam a surgir outras técnicas que ajudam a exercitar o pavimento pélvico no dia-a-dia. É o caso dos cones vaginais, com diversos pesos, que se introduzem na vagina e ajudam na contracção dos músculos internos durante os exercícios.

O períneo e o parto

Em alguns ginásios para grávidas e nos centros de preparação para o parto são também ensinadas estas técnicas de fortalecimento do pavimento pélvico.

Há já profissionais de centros especializados no período da gravidez a ensinar a auto-massagem do períneo e da vagina, com óleos adequados para a mulher. São diversas as vantagens desta rotina no contexto da gravidez, garantem vários autores especializados em livros técnicos: ganho de maior elasticidade dos músculos e dos tecidos da vagina para o parto, aumento do espaço na vagina para a fase de expulsão, redução da incidência de lacerações e diminuição da sensação de mal-estar e ardor na passagem do bebé pelo canal vaginal.

No pós-parto

Após a consulta do pós-parto e com a autorização do médico obstetra, as mães podem procurar um fisioterapeuta especialista para realizar uma avaliação dos músculos do períneo.

A fisioterapia ajuda ainda a aliviar e a tratar eventuais sequelas do parto, como por exemplo as cicatrizes originadas por uma episiotomia. É uma técnica que consiste no corte do períneo para alargar o espaço de saída do bebé, causando geralmente muita dor e incómodo nos primeiros tempos a seguir ao nascimento.

As Recomendações para o Parto da Organização Mundial de Saúde (OMS) consideram, o uso liberal e rotineiro da episiotomia, uma conduta frequentemente utilizada nas salas de parto de uma forma inadequada. Ainda assim, e de acordo com profissionais no terreno, muitas mulheres necessitam de recorrer ao tratamento de cicatrizes da episiotomia ou de lacerações espontâneas. Estes tratamentos têm o objetivo de reabilitar o pavimento pélvico e aumentar a força desta musculatura, tendo em vista a prevenção de patologias posteriores na mulher.

Corrigir a postura, tratar edemas (com drenagem linfática) e promover o bem-estar geral da mãe, num momento de grandes mudanças, são outros recursos que a fisioterapia oferece hoje em dia.

O períneo dos homens

Os cuidados com o períneo não devem ser exclusivos do universo feminino nem se dirigem somente a quem tenha vivido a experiência da gravidez e do parto. A educação do períneo é uma questão de saúde, determinante para a qualidade de vida das pessoas, de uma forma geral.

Também nos homens podem ocorrer disfunções do períneo, como a incontinência urinária e distúrbios de ereção. Uma das principais causas destes problemas tem origem na cirurgia do cancro da próstata. O fisioterapeuta intervém cerca de um mês a seguir à operação e com a devida autorização do médico, na perspetiva de avaliar e planificar os objetivos do tratamento, explica Laira Ramos.

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