Análises de Rotina na Gravidez

Escrito por: Iolanda Veríssimo
Com os depoimentos e revisão de: Dra. Ana Chung, Ginecologista-Obstetra

Saiba quais as análises básicas que devem ser feitas em cada trimestre da gravidez para prevenir ou tratar situações que possam colocar em risco a saúde da mãe e do bebé.

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As análises básicas de rotina que fazem parte da vigilância pré-natal devem realizar-se pelo menos uma vez em cada trimestre, com o objetivo de avaliar o estado de saúde da grávida, sobretudo em relação a problemas como a anemia, a diabetes gestacional e infeções perinatais.

Esta vigilância é parte essencial dos cuidados que permitirão à grávida ter uma menor probabilidade de encontrar problemas, não só ao longo da gravidez, como durante o parto.

Segundo a médica obstetra Ana Chung, do conjunto de análises recomendadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) para os cuidados pré-natais, podem ser consideradas análises de rotina os exames laboratoriais ao sangue e à urina, assim como as serologias para rastreio de doenças como a toxoplasmose, a hepatite B ou o vírus da imunodeficiência humana (VIH).

«Isto é o básico. Devem ser feitas uma em cada trimestre», esclarece. De acordo com a médica, além destes exames, será imprescindível realizar a análise bacteriológica ao exsudado (corrimento) vaginal entre a 35ª e a 37ª semana, com vista à deteção da bactéria Estreptococos do grupo B, que pode estar presente na vagina ou no reto da mulher.

Esta bactéria não oferece riscos à mãe, mas pode ser transmitida ao bebé durante o parto e originar doenças como meningite ou sépsis.

«Não faz mal à mulher, mas pode ser prejudicial para o bebé quando ele nascer. Por isso, fazemos a análise e, se vier positivo, significa que a senhora durante o parto – e só durante o parto – terá de ser submetida a um antibiótico para proteger o bebé», explica.

Para além destas análises básicas, existem outros exames laboratoriais que fazem parte das orientações da DGS para a vigilância pré-natal e que devem ser realizados por todas as grávidas. Entre estes, estão o rastreio da diabetes gestacional, que permite diagnosticar a doença e iniciar o seu controlo metabólico de forma precoce, e a tipagem sanguínea, em que se determina o grupo sanguíneo da grávida e se averigua se existe alguma incompatibilidade entre o sangue da mãe e do pai, que exija cuidados acrescidos com vista à proteção da saúde do bebé. 

Todos os resultados dos vários exames laboratoriais de rotina, assim como os resultados dos restantes exames específicos realizados ao longo do período de gestação, devem ser registados no Boletim de Saúde da Grávida (BSG).

Será importante também que, em conjunto com o médico, a grávida converse e reflita sobre os resultados obtidos e, no caso de ser necessário, encare a mudança e a adaptação de alguns hábitos que poderão contribuir para uma gravidez mais saudável.

Hemograma completo

O hemograma é um dos exames ao sangue que devem fazer parte da rotina de vigilância da grávida. De acordo com as normas da DGS, deve ser efetuado nos três trimestres de gestação, sendo fundamental para avaliar o risco de anemia, o problema médico mais comum durante a gravidez.

A anemia caracteriza-se por uma diminuição do número de glóbulos vermelhos ou de hemoglobina no sangue para valores abaixo da referência para a idade e para o género. Está associada a um aumento do risco de doenças maternas e fetais ao longo do período de gestação, sobretudo quando a hemoglobina está abaixo dos 11 g/dl, valor de referência no 1º e 3º trimestres, ou abaixo dos 10,5 g/dl, valor de referência no 2º trimestre.

Uma vez que a causa mais frequente de anemia na gravidez é a deficiência de ferro, será essencial medir regularmente os níveis de hemoglobina no sangue e avaliar as necessidades específicas de cada grávida neste aspeto.

«Ao longo da gravidez, é muito frequente que as senhoras desenvolvam anemia porque as necessidades para o feto são muito elevadas, principalmente a partir das 20 semanas. Idealmente, as vitaminas e minerais que precisamos deverão ser obtidos através da alimentação, mas a partir das 20 semanas a grande maioria das senhoras não consegue obter os níveis de ferro de que necessita para ela e para o bebé apenas através da alimentação, e precisa de suplementar com uma determinada dose de ferro. Depois, cada caso é um caso e vai sendo avaliado de acordo com as necessidades da grávida», explica Ana Chung.

Urocultura

Outra das análises que fazem parte do protocolo de vigilância em cada trimestre de gravidez é a urocultura, realizada com vista a monitorizar o risco de infeção urinária. «É a infeção mais frequente durante a gravidez e acontece mesmo nas mulheres que nunca tiveram uma infeção urinária antes.

Muitas vezes, não dá sintomatologia típica, como acontece nas mulheres não grávidas, mas as infeções urinárias aumentam o risco de parto pré-termo e portanto convém que sejam diagnosticadas, mesmo sem sintomas, para poderem ser logo tratadas», sublinha a obstetra.

Serologias

A vigilância pré-natal inclui o rastreio de várias doenças e infeções perinatais, que podem aumentar o risco de complicações para a grávida e para o feto.

As serologias servem para avaliar o estado da mulher em relação a doenças como a sífilis, a hepatite B, a toxoplasmose ou a infeção por VIH.

De acordo com Ana Chung, o diagnóstico precoce deste tipo de infeções será essencial para poder iniciar a terapêutica apropriada, para vigiar a evolução do problema e, nos casos em que a transmissão é possível, diminuir o risco de transmissão materno-fetal. «A partir dos resultados das serologias pode agir-se em conformidade.

Nalguns casos, há medicação a fazer, noutros não há medicação a fazer, mas há vigilância extra a fazer, não só no pré-natal como no pós-natal», frisa.

Quatro ideias-chave:

1. As análises ao sangue e à urina, assim como as serologias para o rastreio de doenças e infeções potencialmente perigosas, fazem parte das análises de rotina da gravidez.

2. Estas análises devem ser feitas pelo menos uma vez em cada trimestre.

3. O hemograma completo permite detetar a anemia, o problema médico mais frequente na gravidez.

4. A realização de uroculturas é importante para o diagnóstico de eventuais infeções urinárias, que na gravidez podem ser assintomáticas.

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