A vigilância na gravidez

Escrito por: Ana Margarida Marques

Saiba qual a importância da vigilância pré-natal e quais as consultas e exames que precisará de realizar durante a gravidez.

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Avaliar o bem-estar da mãe e do bebé durante a gravidez e detetar precocemente fatores de risco é o grande intuito da vigilância durante o período pré-natal. A colaboração da futura mãe com os profissionais de saúde é também determinante, na medida em que esta poderá fornecer informação acerca da sua gravidez, comunicando ao seu médico eventuais queixas, desconfortos e mal-estar que possa sentir.

Consultas

As consultas na gravidez são um fator chave para a vigilância da saúde materna e da evolução do bebé.

Na primeira consulta o médico fará o levantamento da história clínica, exame físico com exame ginecológico e da mama e estimativa do tempo de gravidez. São prescritas análises laboratoriais para avaliar o estado de saúde da grávida e realizar o eventual rastreio de infeções que possam afetar o bebé. Nesta fase inicial é facultado o Boletim de Saúde da Grávida, que a futura mãe deverá apresentar nas consultas de gravidez ou quando se dirigir a um serviço de urgência hospitalar. Nesta etapa, o médico fornecerá também informação útil sobre a alimentação e a saúde da grávida.

A avaliação do peso e da tensão arterial, a auscultação dos batimentos cardíacos do bebé e avaliação dos movimentos no útero são procedimentos de rotina durante a gravidez.

É fundamental que a grávida realize os exames que lhe forem solicitados pelo seu médico, que devem ser apresentados na consulta seguinte.  

À medida que a gravidez evolui e o parto se aproxima, o médico orientará a grávida para o registo dos movimentos fetais e avaliará com a grávida as condições para o parto.

Por norma as consultas na gravidez são mensais até às 32 semanas, data a partir da qual têm a periodicidade quinzenal.

A partir das 37 semanas a grávida tem consulta no médico todas as semanas até ao parto.

A futura mãe tem o direito à assistência médica gratuita nas consultas e nos exames médicos nos centros de saúde, hospitais e maternidades públicas. No Serviço Nacional de Saúde (SNS) será seguida na Consulta de Saúde Materna no centro de saúde da área de residência. Caso haja um diagnóstico de gravidez de risco, a grávida será referenciada para receber uma vigilância adequada às suas especificidades.

Ecografias

De acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde, a grávida deverá realizar uma ecografia por trimestre para avaliar o bem-estar do feto e a sua evolução.

A primeira ecografia acontece entre as 11 semanas e 13 semanas e 6 dias, com a finalidade de datar a gravidez, medir a translucência da nuca, detetar problemas numa fase inicial, entre outros fatores.

A ecografia morfológica das 20-22 semanas permite estudar a morfologia do bebé e avaliar o seu crescimento. Nesta fase o médico poderá identificar o sexo do bebé e observará os movimentos no útero. É observado o colo do útero, verificada a localização da placenta e o volume de líquido amniótico. Este ecografia é um marco na vigilância da gravidez e do feto.

Às 30-32 semanas a grávida fará a terceira ecografia que avalia, entre outros parâmetros, o crescimento e o bem‑estar do bebé, a maturação da placenta e o volume de líquido amniótico.

Exames prescritos pelo médico

Durante a gravidez o médico poderá solicitar outros exames, quando se justifique.

O rastreio bioquímico é um exame que calcula o risco do Síndroma de Down ou outras cromossomopatias em situações em que o risco possa estar também aumentado.  

A amniocentese realiza o diagnóstico pré-natal de doenças cromossómicas. É geralmente recomendada nas situações em que há aumento de risco na gravidez, nomeadamente em grávidas com 35 anos ou mais, aumento de translucência da nuca ou história familiar de parentes diretos com cromossomopatia. A indicação de amniocentese acontece nas situações em que o rastreio bioquímico revela um risco aumentado na grávida.

O cardiotocografia (CTG) é um exame que avalia o bem-estar fetal pela frequência cardíaca do bebé e as contrações do útero da mãe. É um procedimento não invasivo que permite dar informação útil relativa ao bebé. 

Conselhos de saúde na gravidez

A vigilância periódica é essencial durante a gravidez, mas a grávida tem também a responsabilidade de zelar pela sua saúde e, por consequência, do bebé. Os suplementos prescritos pelo médico deverão ser tomados. A alimentação saudável e a restrição de açúcares são práticas recomendadas durante a gravidez. A atividade física é também essencial à saúde da grávida. Os cuidados de saúde prestados à futura mãe e a sua colaboração e disponibilidade são determinantes para a evolução da gravidez e do bebé.

Evitar comportamentos de risco

Uma das recomendações dadas pelos profissionais de saúde que vigiam a gravidez é que sejam evitados comportamentos de risco.

O consumo de álcool na gravidez tem consequências graves para o feto, já que a toxicidade do álcool poderá comprometer o desenvolvimento fetal. Também o tabaco tem efeitos prejudiciais no feto e no recém-nascido. Fumar na gravidez prejudicará a saúde da mãe e do bebé, podendo causar complicações como aborto, parto pré-termo, hemorragia vaginal e alterações da aprendizagem e comportamento no bebé.

O uso de fármacos deve ocorrer apenas quando há prescrição médica, já que o seu efeito poderá afetar a placenta e prejudicar o desenvolvimento do embrião ou do feto.

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