Alimentação da mãe no pós-parto

Escrito por: Paula Braga
Com os depoimentos e revisão de: Maria Ana Carvalho, Nutricionista.

As necessidades energéticas e nutricionais da mulher lactante são semelhantes à de uma grávida no último trimestre. A uma alimentação completa e variada acresce a necessidade de um aporte de iodo para assegurar o normal desenvolvimento cerebral do bebé.

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O plano alimentar da mulher pós-parto deve ser adaptado às necessidades nutricionais da mulher lactante. Uma mãe que opte por amamentar o bebé terá um acréscimo das suas necessidades energéticas e nutricionais. Segundo a nutricionista, Maria Ana Carvalho, “uma mulher vai necessitar, em média, de mais 500Kcal por dia - em comparação com as necessidades energéticas que tinha antes de engravidar - para dar resposta à amamentação em exclusivo”.

O acréscimo energético que decorre nesta fase da amamentação dos 0 aos 6 meses de idade do bebé é muito semelhante ao que acontece no último trimestre da gravidez, por isso mesmo, explica a nutricionista, “a dieta alimentar é a mesma, à exceção dos cuidados que existem relativamente à prevenção das toxinfeções alimentares que no período da amamentação não se aplicam”.

De acordo com a especialista, o ajuste às necessidades energéticas acrescidas deve ser feito através da adoção de uma alimentação equilibrada, completa e variada, com base na Roda dos Alimentos e pela toma de suplementação adequada. A amamentação exclusiva carece de um aporte superior de iodo, tal como a gravidez, por forma a completar as necessidades da mãe que amamenta e assegurar o normal desenvolvimento cerebral do bebé.

“Neste momento, o iodo é o único nutriente que está recomendado para ser suplementado no pós-parto. O objetivo desta suplementação prende-se com o facto do desenvolvimento cognitivo do bebé ocorrer maioritariamente entre o período de gestação e os dois, três anos de vida da criança. Daí que a suplementação da mãe seja muito importante porque o bebé recebe o leite com a quantidade de iodo que a mãe consome”, esclarece.

MULHER LACTANTE: 150 A 200 µg/DIA DE IODO

A Direção-Geral da Saúde recomenda que a mulher em preconceção, grávida ou a amamentar deve receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio de 150 a 200 µg/dia. Os alimentos que contêm mais iodo na sua composição são as algas, o peixe, o leite e os seus derivados, bem como alguns produtos hortícolas.

Contudo, a concentração de iodo nos alimentos depende de inúmeros fatores, como o teor de iodo na água e nos solos e também a utilização de desinfetantes iodados na indústria alimentar. Daí que as necessidades da grávida não consigam ser alcançadas única e exclusivamente através da alimentação, sendo fundamental um aporte adequado de iodo durante o período de amamentação, para que não se comprometa o desenvolvimento cognitivo e/ou comportamental da criança. No entanto, há algumas patologias que constituem uma contraindicação para a suplementação com iodo, por isso é muito importante que esta suplementação seja feita sob supervisão médica.

O iodo é um oligoelemento essencial à vida, obtido a partir de fontes exteriores ao organismo humano, através da alimentação, o qual fica acumulado na glândula tiroide e tem como função a biossíntese das hormonas tiroideias.

Como explica a Direção-Geral da Saúde, através de uma Orientação lançada em 2013, “as hormonas tiroideias são responsáveis pela regulação do metabolismo celular e desempenham um papel determinante no crescimento e desenvolvimento dos órgãos, em especial do cérebro”.

CRENÇAS E MITOS

Uma mãe que amamenta não tem qualquer tipo de restrições alimentares, à exceção do consumo do álcool que deve ser evitado. No entanto, existem muitas crenças e mitos relativamente à alimentação das mães na fase pós-parto, mas não há qualquer evidência científica que demonstre a necessidade de eliminar determinados alimentos da dieta alimentar da mãe que amamenta porque, por exemplo, provocam flatulência ao bebé.

“É verdade, existem muitas crenças e mitos relativamente a este assunto que indicam a necessidade de a mãe evitar comer, por exemplo, alho, cebola, laranja, morangos ou couves de Bruxelas, por provocarem cólicas ao bebé, alergias alimentares na criança ou serem responsáveis por alterações no leite materno, mas isto não é verdade. É preciso desmistificar esta ideia e incentivar a mãe a ter uma alimentação o mais variada possível para potenciar o crescimento saudável do seu filho”, clarifica Maria Ana Carvalho.

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