Ser mãe: os primeiros receios

Escrito por: Paula Braga
Com os depoimentos e revisão de: Dra. Teresa Abreu, Psicóloga

Com a confirmação da gravidez, surge também um turbilhão de sentimentos e inseguranças, que são naturais e podem ser ultrapassados.

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Deu positivo e agora? Esta é possivelmente uma das primeiras interrogações que se coloca às futuras mães. Por muito desejada que seja a gravidez, a sua confirmação vem recheada de alegria e também de muitos receios. 

 Deu positivo e agora? Esta é possivelmente uma das primeiras interrogações que se coloca às futuras mães. Por muito desejada que seja a gravidez, a sua confirmação vem recheada de alegria e também de muitos receios.

A gravidez, se desejada, é vivida com muita emoção e alegria desde o primeiro momento. Porém, depois da euforia inicial, começam a surgir as primeiras dúvidas. Exteriormente, a mulher está igual, mas no seu interior começam a registar-se muitas mudanças que envolvem aspetos biológicos, psicológicos e sociais. Há uma nova vida a formar-se no seu útero e a futura mãe vive agora um misto de sentimentos contraditórios em relação ao seu novo papel. O medo de falhar instala-se.

Na opinião da psicóloga clínica, Teresa Abreu, um dos primeiros receios vividos pelas grávidas está relacionado com o aborto espontâneo, as malformações e as doenças. Especialmente, reforça, «se houve episódios anteriores de alarme ou de uma gravidez malsucedida».

Será que vou ser boa mãe? Será que vou saber cuidar do bebé? São as dúvidas que se seguem nesta fase inicial de gestação. Contudo, Teresa Abreu assegura que estes são receios transversais numa fase inicial, mas que tendem a diminuir à medida que a gravidez avança e que, no processo, a mulher se torna mais confiante e segura de si. «Não há que dramatizar, são receios normalíssimos, próprios de quem está em mudança e não domina o que se passa consigo.»

Partilhar para vencer

A notícia da chegada de mais um elemento à família vai alterar necessariamente a dinâmica de relacionamento do casal, mas essa mudança não tem de ser para pior nem implica necessariamente a perda do lugar que cada um já conquistou na relação. Uma coisa é certa: nada voltará a ser o mesmo e cada casal deverá reencontrar a melhor forma de se relacionar sexual e afetivamente, durante a gestação, para que este período seja vivido com satisfação. «É imprescindível que os dois se cuidem enquanto casal e enquanto indivíduos. Vão verificar-se mudanças em cada um e no relacionamento, mas é também no diálogo com o companheiro que encontram novas formas de adaptação», esclarece Teresa Abreu.

A gravidez é, de facto, um período fértil em dúvidas, ansiedades e grandes preocupações, uma vez que existe um reavaliar da posição enquanto filho(a) e membro de um grupo familiar para a delineação de novos papéis e lugares na família e no grupo social alargado. No entanto, estas inquietações não são exclusivas da mãe. O pai padece igualmente de algum desassossego de espírito em relação à viabilidade da gravidez, ao seu novo papel e à participação cada vez mais ativa e envolvida em todo o processo. «O sustento familiar é um dos medos que aflige também o pai: será que vou ser capaz de prover para a família?», relembra a psicóloga clínica.

Tempo dissipa receios

É natural que, durante a gravidez, os futuros pais fiquem inseguros em relação à perda de individualidade, à conciliação da vida profissional com a chegada do bebé, às modificações físicas (no caso da grávida), psíquicas e sociais (no caso de ambos) e às alterações relacionais e sexuais na vida do casal. «São dúvidas comuns a todos os pais grávidos, mas o importante a reter é que, aos poucos, pai e mãe, juntos, vão encontrando estratégias e respostas para os seus receios e criando novas rotinas. Num primeiro momento, é natural que deem dois passos atrás para depois dar o salto», conclui a psicóloga clínica.

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