Ligação materna no útero

Escrito por: Ana Margarida Marques
Com os depoimentos e revisão de: Professor Doutor Diogo Ayres de Campos, Obstetra

O cordão umbilical é mais do que um veículo para nutrir o bebé no útero. É o primórdio da ligação afetiva com a figura materna, que começa muito antes do nascimento.

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Diversos especialistas abordam o conceito da proximidade da mãe e do bebé como meio para potenciar o desenvolvimento infantil. O contacto entre ambos começa no útero, quando a mãe e o bebé ainda não são dois seres separados. O médico obstetra Diogo Ayres de Campos dá algumas respostas possíveis para a compreensão deste fenómeno humano.

Diversos especialistas abordam o conceito da proximidade da mãe e do bebé como meio para potenciar o desenvolvimento infantil. O contacto entre ambos começa no útero, quando a mãe e o bebé ainda não são dois seres separados. O médico obstetra Diogo Ayres de Campos dá algumas respostas possíveis para a compreensão deste fenómeno humano.

A investigação aponta cada vez mais no sentido de haver uma continuidade da vida uterina cá fora, exaltando as vantagens da proximidade física com o bebé no campo do desenvolvimento infantil. Jean Liedloff, antropóloga americana, defende que as crianças com mais contacto físico desde o nascimento crescem com maior autoestima e mais independentes. Aletha Solter, psicóloga do desenvolvimento, refere também que um bebé que chora deverá ter contacto físico, contacto visual, encorajamento verbal e ouvir com muita atenção.

Sentir os movimentos fetais

A própria ciência diz-nos muito sobre os acontecimentos da vida no útero. «Os movimentos do feto iniciam-se cerca dos três meses de gravidez, mas geralmente só são percecionados pela mãe após as 19 semanas, por volta do meio da gravidez», refere Diogo Ayres de Campos, explicando que «nas fases mais adiantadas da gravidez, o feto é capaz de percecionar e reagir aos ruídos e à luz provenientes do exterior, pois os órgãos dos sentidos já se encontram mais desenvolvidos».

São, aliás, diversas as perceções do feto relativamente ao exterior do corpo da mãe. Diogo Ayres de Campos explica que «as reações à voz materna e à música estão bem documentadas, manifestando-se por alterações na frequência cardíaca tradutoras de maior acalmia fetal». São sinais de que há vida no útero e de que, embora o feto esteja bem protegido, este não será indiferente a vida lá fora: «Por outro lado, a estimulação acústica e vibratória intensa interrompe o sono fetal, podendo condicionar períodos longos de vigília agitada.»

Como é a vida uterina

Sabe-se que o ambiente do útero é protetor do desenvolvimento fetal, graças ao líquido amniótico que «protege muito o feto dos traumatismos externos e possibilita os movimentos fetais». A circulação umbilical assegura um aporte constante de oxigénio e de nutrientes, refere o obstetra, contribuindo para «o crescimento e o desenvolvimento dos órgãos e sistemas, essenciais para a sobrevivência após o nascimento».

Porque o cordão umbilical é um anexo embrionário que liga o bebé à placenta da mãe, é natural que o comportamento materno influencie a vida uterina através de estímulos diversos.

Segundo Diogo Ayres de Campos, «os comportamentos maternos mais negativos para a vida uterina estão relacionados com a ingestão ou inalação de substâncias nocivas para o feto». É o caso de tabaco, drogas, bebidas alcoólicas e certos medicamentos.

De igual modo, deve evitar-se a exposição a vibração, ruídos elevados, extremos de temperatura, radiações, pesticidas, chumbo, mercúrio, microrganismos causadores de infeção e atividades com elevado risco de traumatismo.

Tudo o que de bom a mãe possa oferecer ao bebé, vai contribuir para o seu bem-estar e ajudar a criar o vínculo afetivo desde cedo.

«A atividade física moderada é benéfica, quando a gravidez decorre sem complicações, desde que não se ultrapassem os níveis de cansaço a que a grávida está habituada», frisa o obstetra.

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