Compreender a placenta

Escrito por: Ana Margarida Marques
Com os depoimentos e revisão de: Dra. Marcela Forjaz, Ginecologista-Obstetra

A placenta funciona como uma ligação entre a mãe e o feto. Saiba como funciona este órgão e qual a sua ação na gravidez.

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É no primeiro mês de gravidez que a placenta vai formar-se para assegurar a vida do bebé dentro do ventre. Aproximadamente 700 mil vilosidades ligam os vasos sanguíneos entre a placenta e a parede uterina, permitindo o transporte dos nutrientes da mãe para o bebé e os desperdícios do bebé para a mãe.

A placenta é um órgão que tem a capacidade de produzir e segregar hormonas como o estrogénio e a progesterona.  O seu tamanho é variável, mas poderá atingir em média 600 gramas quando totalmente desenvolvida. A placenta tem um formato de disco com um diâmetro que varia de 15 a 20 centímetros. É um órgão que pode inserir-se em qualquer localização da cavidade uterina, sendo desejável que se implante afastada do orifício interno do colo de forma a não obstruir a saída do bebé aquando do parto.

De acordo com a médica obstetra Marcela Forjaz, “a placenta desenvolve-se em simultâneo com o embrião, havendo logo nos primeiros dias após a fecundação uma diferenciação de parte das células, no sentido de umas células darem origem ao embrião, outras às membranas amnióticas e ainda outras à placenta. Na fase de blastocisto, nome dado ao ovo fertilizado, essa orientação já está tomada. As células predestinadas a formar a placenta darão origem ao trofoblasto, o seu precursor, que vai amadurecendo e finalmente diferenciar-se em placenta”. A partir de então este órgão vai ganhar forma para iniciar as suas funções únicas na vida de gestação.

A ação da placenta

É graças à placenta que o bebé recebe oxigénio e os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento tais como aminoácidos, ácidos gordos e vitaminas. Por outro lado, “a placenta constitui a interface entre os materiais que a mãe cede ao bebé e os detritos dos quais o bebé se livra para que a mãe elimine ou recicle”, explica a médica Marcela Forjaz.

Este é um órgão único pela sua multifuncionalidade. A placenta capta os gases de que o bebé tem de se livrar como o dióxido de carbono, além de produzir hormonas que o feto não é ainda capaz de produzir e hormonas importantes para a manutenção da gravidez. A placenta também transmite anticorpos ao bebé, defendendo-o de algumas doenças graves. O seu efeito em termos de imunidade eleva este órgão à condição de grande protetor da mãe relativamente ao feto, sinal de que mesmo antes de o bebé nascer a mãe já o protege do que possa constituir uma ameaça para ele.

Em contrapartida, a placenta permite a passagem de agentes infecciosos que podem lesar o feto, como a rubéola ou toxoplasmose, ou substâncias nocivas que a grávida consuma, como álcool, drogas e substâncias associadas ao tabaco.

Confiança e tranquilidade

Descolamento prévio da placenta ou placenta prévia são alguns dos problemas que podem ser detetados pelo médico durante a gravidez. 

“A grávida deverá confiar que a natureza agirá em conformidade com aquilo que está previsto: a gravidez terminar no termo, sem complicações, ter um bebé são, deixando que o seu obstetra tome conta dos sobressaltos que poderão ir surgindo”, aconselha Marcela Forjaz.

Quando a gravidez é acompanhada por uma equipa de saúde, não há razões para a futura mãe não desfrutar dos nove meses com tranquilidade e confiança: "A grávida deve perceber que a placenta é um órgão de 'alta tecnologia' com um risco de 'falha técnica' muito reduzido."

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