Para que serve a consulta preconcecional?

Escrito por: Iolanda Veríssimo

A consulta preconcecional é um primeiro passo fundamental para que tudo corra bem na gravidez, servindo para avaliar o estado de saúde da futura mãe e tomar as medidas apropriadas para preparar o período de gestação. 

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A consulta preconcecional tem como principal objetivo permitir que os futuros pais tomem as precauções adequadas no sentido de estarem o mais saudáveis possível no momento da conceção. Além disso, é uma boa ocasião para que o casal exponha as suas dúvidas sobre o período da gravidez.

A consulta preconcecional pode ser feita pelo médico de Medicina Geral e Familiar ou pelo médico Ginecologista-Obstetra. No entanto, esta consulta não pode ser substituída por uma consulta geral de rotina, uma vez que aborda dimensões específicas da preconceção.

«O período de maior sensibilidade ambiental para o feto situa-se entre os 17 e 56 dias após a fecundação, período em que começa a organogénese, antes mesmo que muitas mulheres reconheçam que estão grávidas ou tenham a oportunidade de iniciar os cuidados pré-natais. Por outro lado, todas as mulheres em idade fértil devem dispor de informação suficiente, em particular, sobre a importância das primeiras semanas de gravidez, de modo a que possam fazer escolhas esclarecidas acerca do seu futuro reprodutivo», refere a Direção-Geral da Saúde (DGS), numa das suas diretivas para a prestação de cuidados preconcecionais.

Avaliação de riscos concecionais

De forma mais abrangente, a consulta preconcecional é também um primeiro cuidado para identificar possíveis riscos concecionais, nomeadamente riscos genéticos e possíveis efeitos da gravidez sobre condições médicas existentes.

«O aconselhamento preconcecional deve ser entendido como um processo durante o qual o médico deve obter toda a informação possível para estabelecer o risco de anomalia reprodutiva, numa determinada mulher/casal, e propor as medidas tendentes a minimizar ou eliminar esse risco», indica a DGS. Através do estudo da história reprodutiva, médica e familiar dos pais, o médico poderá orientar a futura mãe de acordo com os riscos identificados, fazendo as modificações necessárias para diminuir ao máximo esses riscos. Por exemplo, no contexto de problemas médicos anteriores, como diabetes, asma, depressão, epilepsia, lúpus, hipertensão, cardiopatias, doenças renais e da tiroide, ou outras, será imprescindível compreender se a doença está controlada e avaliar o impacto da medicação. O objetivo final é que se possam fazer os reajustes necessários na medicação antes de a mulher engravidar.

Análises e Exames Recomendados

Segundo as diretivas da Direção-Geral da Saúde, na fase de preconceção devem ser feitas análises básicas ao estado de saúde da mulher, como o hemograma, ou as análises da função renal e à urina. Neste período são também realizadas uma série de serologias para avaliar o estado da mulher em relação a doenças como a rubéola, a toxoplasmose, a sífilis, a infeção por VIH ou a hepatite B. São ainda recomendados os seguintes procedimentos:

• Determinação do grupo sanguíneo e fator Rh;

• Rastreio das hemoglobinopatias;

• Vacinação antitetânica;

• Rastreio do cancro do colo do útero, se o anterior tiver sido efetuado há mais de um ano, através de uma citologia cérvico-vaginal (conhecida como Papanicolau); Além destas, outras análises laboratoriais podem ser pedidas pelo médico, sempre que este considere necessário. Todos os dados recolhidos no acompanhamento médico na fase preconcecional devem ser registados no Boletim de Saúde reprodutiva/ Planeamento Familiar, e depois transferidos para o Boletim de Saúde da Grávida.

Preparar a Gravidez

A consulta preconcecional serve também para a discussão de aspetos importantes ligados à gravidez e aos desafios que implicam criar ou aumentar uma família. Geralmente, o médico conversa sobre a importância da adoção, pelo casal, de comportamentos seguros que permitam a prevenção de infeções de transmissão sexual.

Como recomendam as normas da DGS, é ainda discutido «o espaçamento recomendado entre os nascimentos, incluindo as questões relativas ao uso de contracetivos e à sua interrupção».

Os aspetos psicológicos, familiares, sociais e até financeiros, relacionados com a preparação da gravidez, não ficam de fora. Da mesma forma, uma das vantagens mais importantes da consulta preconcecional é poder obter aconselhamento médico sobre hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis, fazendo-se uma avaliação do estado nutricional da mulher e adequando comportamentos.

«Tanto a obesidade como o baixo peso podem ter reflexos negativos sobre a mãe e/ou feto, numa futura gravidez. A verificação dos hábitos alimentares, a avaliação da dieta e recomendações de alterações que possam beneficiar o desenvolvimento do feto são componentes importantes do aconselhamento, onde, evidentemente, se inclui a informação acerca do risco que envolve o consumo de substâncias nocivas como o tabaco, o álcool e outras drogas», sublinha-se nas orientações da DGS.

Suplementação na preconceção

Um dos aspetos sobre os quais a futura mãe recebe aconselhamento na consulta preconcecional prende-se com a manutenção do equilíbrio nutricional e com a necessidade de fazer suplementação nutricional adequada logo no período preconcecional. A Direção-Geral da Saúde recomenda a suplementação com ácido fólico e iodo, a iniciar pelo menos dois meses antes da data de interrupção do método contracetivo. Com isto, atualmente os cuidados preconcecionais relacionados com a suplementação incluem um suplemento diário de 400 µg de ácido fólico, a ser iniciado dois meses antes de engravidar, e mantido ao longo de toda a gravidez, com o objetivo de prevenir malformações no cérebro do bebé. Relativamente ao iodo, a DGS recomenda um suplemento diário de 150 a 250 µg desde o período preconcecional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo.

O pai deve ir à consulta?

Não é obrigatório que o companheiro participe na consulta preconcecional. Contudo, é importante que a mulher conheça o seu historial pessoal e familiar, e este deve realizar os exames prescritos pelo médico nesta ocasião. De acordo com a DGS, a realização do rastreio da sífilis, da infeção por VIH e da hepatite B são exames que podem ser pedidos ao futuro pai.

Conselhos práticos

Se tiver possibilidade, leve para a consulta o boletim de vacinas, para que o médico possa verificar se está vacinada contra doenças como o tétano. No caso de ter muitas questões para colocar, poderá ser útil levar também essas questões anotadas, para não se esquecer de nada. Geralmente, o médico recomenda que desse momento em diante a mulher faça o registo do calendário das menstruações e dará conselhos sobre como manter um estilo de vida saudável.

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