Viajar segura

Escrito por: Iolanda Veríssimo
Com os depoimentos e revisão de: Dra. Helena Sacadura Botte, Técnica de Segurança Infantil da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI)

Conheça as principais medidas de conforto e segurança para viajar de carro durante a gravidez.

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Não há razão para não viajar de carro durante a gravidez. Contudo, os acidentes de viação estão entre as causas mais comuns de ferimentos na grávida e, à medida que a gravidez evolui, as viagens pode tornar-se mais desconfortáveis e cansativas. Neste contexto, as seguintes medidas de conforto e segurança devem ser tidas em consideração quando viaja de automóvel:

Faça pausas
Nas viagens de média e longa duração, é importante fazer paragens, pelo menos de duas em duas horas, para ir à casa de banho, esticar as pernas e descansar. Estas pausas ajudam a combater a fadiga, náuseas e enjoos, e evitam eventuais problemas de circulação sanguínea.

Hidrate-se e alimente-se
Para fazer frente aos enjoos e ao cansaço, a grávida deve beber água regularmente e evitar estar muito tempo sem comer. Pequenos snacks de fruta e vegetais frescos, como maçã, cenoura ou banana, e frutos secos, como nozes ou amêndoas, são boas opções neste contexto, pois fornecem bastante energia e são práticas para levar no carro.

Garanta o seu conforto
Opte por roupa e sapatos confortáveis, que não sejam muito apertados, e tente não sobrecarregar o carro com bagagem. Mantenha também uma boa circulação do ar. Enquanto condutora, evite fazer longas viagens sozinha e reveze a condução com a pessoa que a acompanha. Dê primazia aos trajetos curtos. Faça uma condução prudente, não exceda os limites de velocidade recomendados, e evite acelerações e travagens bruscas.

Use sempre cinto de segurança
Tal como todos os outros passageiros, a grávida deve usar sempre o cinto de segurança quando viaja de automóvel. Como explica a especialista Helena Sacadura Botte, Técnica de Segurança Infantil da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), a grávida deve usar cinto ao longo de toda a gravidez, inclusive no final, quando a barriga está maior.

A especialista esclarece que, para uma correta colocação do cinto, este deve «assentar na raiz das coxas e ficar bem justo. Para facilitar a sua colocação correta, o banco do passageiro da frente pode ser recuado o mais atrás possível – o cinto ficará mais baixo e mais confortável, sem tendência para subir e fazer pressão na barriga. a precinta diagonal deve contornar o abdómen, passar no espaço inter-mamário e ficar apoiada a meio do ombro».

Perigo de viajar sem cinto
Viajar sem usar um sistema de retenção adequado pode comprometer gravemente a saúde de qualquer pessoa. No caso da grávida, este risco é acrescido, pois, além da segurança da mãe, também o bem-estar e segurança do bebé estão ameaçados. Se a mãe for projetada contra o tablier, o volante, o banco da frente ou o exterior do carro, também o bebé pode sentir o impacto desta projeção, embatendo com violência ou sendo esmagado pelo peso da mãe, que é exponenciado pela velocidade do carro.

«A não utilização do cinto de segurança e consequente embate do útero contra o tablier (ou o banco da frente), em caso de travagem ou acidente, terá consequências mais graves para o feto do que as lesões que o cinto possa causar, se bem colocado. Se houver um airbag ativo no lugar do passageiro da frente é também importante recuar o banco, sobretudo no final da gravidez», explica Helena Sacadura Botte.

Até quando é seguro conduzir?
A Associação para a Promoção da Segurança infantil (APSI) desaconselha a condução no último trimestre de gravidez, devido ao volume da barriga e à proximidade do volante. Em veículos com airbag frontal ativo no lugar do condutor, esta precaução é ainda mais importante, pois a sua abertura pode causar lesões sérias ou fatais para o bebé.

«Efetivamente, no último trimestre o bebé fica mais exposto devido ao seu tamanho e à menor quantidade de líquido amniótico. Aconselha-se a grávida a viajar preferencialmente em transportes públicos (sempre sentada), a pedir boleia a familiares ou colegas de trabalho e até mesmo a deixar de trabalhar caso a profissão obrigue a grandes deslocações diárias, que envolvem sempre um risco de acidente rodoviário», recomenda a técnica.

Como agir em caso de acidente
Num acidente de viação grave, a grávida é imediatamente levada para o hospital, no entanto, mesmo no contexto de um acidente ligeiro, é importante que a grávida seja observada por um médico. Se estiver em condições de falar, informe imediatamente os profissionais de saúde que a assistem de que está grávida, sobretudo se estiver no início da gravidez e a barriga ainda não se notar. Se o seu tipo de sangue for RhD negativo, deve também mencionar essa característica quando estiver a ser assistida, para, no caso de ser necessário, ser feita prevenção da isoimunização de RhD (processo relacionado com as trocas de sangue entre mãe e feto, que pode afetar a saúde da criança), e para que possam tratá-la de forma adequada.

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