“Disciplinar com amor”

Escrito por: Ana Margarida Marques
Com os depoimentos e revisão de: Professor Doutor Paulo Oom, Pediatra

Em entrevista, o pediatra Paulo Oom explica a importância das regras para a educação e o futuro da criança.

“Disciplinar com amor” class=

É muito importante que haja um ambiente familiar que promova, em conjunto, o amor e a disciplina, acredita Paulo Oom. Esta última num sentido construtivo e de dar as ferramentas aos filhos para que possam desde cedo ser ajudados a crescer e a conhecerem-se a si próprios.

É muito importante que haja um ambiente familiar que promova, em conjunto, o amor e a disciplina, acredita Paulo Oom. Esta última num sentido construtivo e de dar as ferramentas aos filhos para que possam desde cedo ser ajudados a crescer e a conhecerem-se a si próprios.

O que aconselha aos pais que se preparam para ter um bebé?

Quando um bebé nasce, há a ideia de que os pais passam a viver em função daquela criança. As crianças e os filhos são uma coisa muito importante na nossa vida, mas não são a única. Muitas vezes o próprio casal deixa de viver como tal, para viver só para o bebé. Embora os pais possam pensar que é bom, porque estão a dar-lhe toda a atenção e carinho que merece, é importante ver as coisas noutra perspetiva.

É fundamental que as crianças tenham essa noção elas próprias?

É importante que os filhos percebam que os pais, para além de lhes dedicarem muito tempo, de os amarem muito e de se divertirem com eles, têm também tempo para eles próprios, têm os seus passatempos, vão jantar fora, vão ao cinema. Deve transmitir‑se aos filhos um determinado estilo de vida e forma de estar equilibrada e harmoniosa. Não é bom para as crianças que os pais passem a viver só em função delas. Quando isso acontece, elas pressentem-no e carregam um enorme stresse.

Significa que as crianças devem aprender a ser autónomas? 

Muitos pais hoje em dia são quase como “bombeiros” ou “polícias” de tudo o que se passa com a criança. A criança não aprende com os seus atos, porque os pais estão sempre lá para ajudar. E pensam que com isso estão a fazer o melhor papel possível, mas não é verdade. 

Há diferentes perspetivas de educar. O que importa salientar?

Não há uma fórmula mágica que funciona com todas as crianças. Cada criança tem o seu temperamento, e os pais, conhecendo o temperamento dos seus filhos, têm de adaptar a sua forma de atuar de modo a ir ao encontro das características dos filhos. Os pais também têm temperamentos diferentes. O ideal é que haja alguma autoridade sobre os filhos, mas que os deixem tomar as suas próprias decisões.

A partir de que idade se deve impor limites?

Uma criança consegue aprender limites e regras por vezes a partir de um ano e meio, seguramente a partir dos dois anos. É fundamental que a criança participe na elaboração das regras, que seja ouvida a sua opinião. Não quer dizer que se faça tudo o que ela quer. Se a criança for tida em conta na elaboração da regra, ela sente que a regra é também dela, pois também a ajudou a construir.

Qual a sua perspetiva da disciplina e do amor?

A disciplina e o amor não são polos opostos. A noção que muitos pais têm de disciplina é que é um termo com uma conotação negativa (punir, pôr de castigo, dar uma palmada). A palavra “disciplina” vem de “discípulo”, que é aquele que aprende. Significa muito mais ensinar e dar o exemplo do que punir – 90 por cento da disciplina dos pais deve ser prevenção (que sirva de modelo aos filhos) e dez por cento de punição, e nesta perceção de disciplina como algo positivo, ela não é oposta ao amor. É um complemento do que os pais sentem pelos filhos.

Como pode a disciplina ser promovida com amor?

Grande parte da disciplina pode ser feita no dia a dia com métodos de diversão em que os pais se divertem com as crianças enquanto explicam as regras, colocando-a em prática, portanto não tem de ser algo necessariamente muito sério e muito sisudo. A disciplina pode ser imposta naturalmente fazendo parte da vida daquela criança de uma forma calma, tranquila, serena, sem ser preciso incutir medo na criança. 

Outros Artigos deste tema

Subscreva a Newsletter

Receba informação semanal adaptada ao desenvolvimento da sua gravidez.