Bebés e animais de estimação são compatíveis?

Escrito por: Paula Braga
Com os depoimentos e revisão de: Mário Cordeiro, pediatra, e Nuno Santos, médico veterinário

A relação entre cães/gatos e bebés é saudável e pode crescer cheia de cumplicidades, mas deve ser sempre vigiada.

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A convivência entre o bebé e o animal de estimação (cão ou gato) da família não deve ser motivo de preocupação. Os dois vão desenvolvendo afetos progressivamente e de forma natural e, com a idade, a criança aprende a cuidar, a brincar e a responsabilizar-se pelo animal que não é um brinquedo. Mas é importante que esta relação entre os dois seres vivos seja balizada por regras desde o primeiro momento.

“Os pais terão de definir essas regras e ensiná-las à criança desde cedo. Por exemplo, não deve incomodar um animal que está a comer ou que tem crias. A apresentação da criança ao animal e vice-versa também é essencial, deixando lamber e contactar um com outro”, alerta o pediatra Mário Cordeiro.

Mas lamber, perguntam muitos pais. Esta é, aliás, uma das questões que mais preocupa os progenitores. Afinal, que tipo de doenças podem ser transmissíveis ao bebé através do animal, seja cão ou gato. Nuno Santos, médico veterinário, desmistifica e assegura mesmo que se o animal estiver cuidado, os pais podem estar descansados.

“Os parasitas internos ou externos são o principal foco de doenças transmissíveis através dos animais, outras patologias são casos muito raros. No entanto, os animais devem estar vacinados, desparasitados a nível interno e externo, e quando há crianças em casa, os donos devem desparasitá-los com mais regularidade”. O especialista Mário Cordeiro relembra mesmo que “a boca dos humanos tem muito mais bactérias patogénicas do que as dos cães ou dos gatos”.

Crianças alérgicas ao pelo
As alergias ao pelo dos animais é outra das inquietações frequentes por parte dos progenitores, mas mais uma vez sem razão. Hoje em dia há estudos científicos que provam que uma criança que cresce numa casa com cães ou gatos durante o primeiro ano de vida tem menos propensão para desenvolver doenças alérgicas quando comparado com crianças que crescem sem animais de estimação. “Sim, é uma verdade”, sublinha Mário Cordeiro. O médico pediatra adianta ainda que “na maioria dos casos de crianças alérgicas ao pelo do cão ou do gato, não é necessário retirar o animal de casa. Primeiro, porque as crianças são alérgicas a ‘mil e uma coisas’; segundo os antigénicos do cão e do gato perduram nas casas por longos anos. O correto é medicar a criança alérgica com um tratamento de longo prazo”.

Como preparar o cão?
A chegada de um novo elemento à família traz sempre mudança nas rotinas diárias e é fundamental que prepare o seu cão ainda antes do bebé chegar a casa. Comece primeiro por identificar os problemas comportamentais do seu cão (ansioso, inseguro, agressivo ou dominante) e depois procure ajuda de um profissional especializado. “É importante treinar sempre um cão, com ou sem criança em casa. Há comandos básicos que todos os cães devem ter, como o sentar, o ficar e o deitar. São regras de convivência básica que os donos deveriam preocupar-se desde sempre, por uma questão de comportamento e de educação do animal”, esclarece Nuno Santos.
O médico veterinário sugere que o cão deve ser apresentado ao bebé mesmo antes do bebé chegar a casa. Simule, por exemplo, o choro de um recém-nascido através de sons; use em si os cremes do bebé para o animal ambientar-se aos novos aromas e é aconselhável os pais trazerem da maternidade uma fralda do bebé e dar a cheirar ao seu cão ou gato. Também é importante montar o quarto do bebé e dar a conhecê-lo ao seu animal e deixar que ele explore.

Convívio sempre supervisionado
No dia que o bebé regressa da maternidade, é essencial acalmar o cão com longos passeios, deixar que o pai entre primeiro com o bebé e só depois a mãe, para que a progenitora tenha hipótese de mimá-lo e acalmá-lo antes de apresentar o recém-nascido. A apresentação deve ser feita tranquilamente e de forma natural. Aos poucos a ansiedade do animal dissipa-se e tudo volta à normalidade. Deixe que o seu cão ou gato participe nas tarefas do bebé, mas faça-o perceber que há um espaço que deve manter entre ele e o recém-nascido. Lembre-se que o seu cão será sempre um animal, apesar de treinado e bem comportado. Não deixe o seu filho e o seu cão ou gato sozinhos, mesmo por pouco tempo. O convívio entre os dois é essencial e irá crescer de forma gradual e cheia de cumplicidades, mas deve ser sempre vigiado.

Cães/gatos e bebés
10 dicas para uma boa convivência

ANTES DE O BEBÉ NASCER:

Comportamentos indesejados
Se tem cães com maus hábitos e comportamentos indesejados devem ser corrigidos com antecedência. Comece por identificar os problemas do seu cão (ansioso, inseguro, agressivo ou dominante) e procure ajuda de um profissional especializado.

Comandos básicos
É essencial que o seu cão obedeça aos comandos básicos (senta, fica, deita). Seja paciente e treine o animal. Por norma eles são muito inteligentes e aprendem rápido. Não esquecer de recompensá-lo sempre que acate as suas ordens.

Zona de descanso e lazer
Defina um espaço na casa para colocar a cama, as mantas, os brinquedos e a comida e água do cão. Não deve ser um espaço de passagem, mas mais sossegado. Sempre que necessário indique ao seu cão para ir para a cama e gradualmente vá aumentando o tempo para ele lá ficar. Desta forma ele passará a identificar aquele local como o seu espaço de descanso.

Preparar o quarto do bebé
É importante que o faça antes do recém-nascido chegar para o cão ficar familiarizado com a cama, o carrinho e outros objetos de maior dimensão. Deve também treinar o seu cão para não entrar no quarto do bebé. Existem grades próprias para colocar à entrada das divisões que limitam o seu acesso, mas permitem ao cão estabelecer contacto visual e isso é importante para o futuro relacionamento dos dois.

Sons e cheiros novos
Durante o dia coloquem a tocar sons que imitem um bebé a chorar e perceba como o cão reage. À medida que o tempo passa, o cão vai-se habituando. O mesmo acontece com cremes para bebés. Os donos devem utilizá-los antes do bebé chegar para o cão ambientar-se a estes novos cheiros. Também é recomendável o pai trazer uma fralda do bebé da maternidade e deixar o cão cheirar em casa.

DEPOIS DO NASCIMENTO:

Passeie o seu cão
Antes de a mãe chegar a casa com o bebé procure acalmar o seu cão. Dê um grande passeio com ele para ficar mais tranquilo e menos excitado quando estiver, pela primeira vez, com o recém-nascido.

Pai e bebé primeiro
O ideal é o pai entrar primeiro com o bebé e só depois a mãe porque o cão não vê a dona há alguns dias e vai ficar muito entusiasmado. Ela deve acalmá-lo e recompensá-lo com muitos mimos para tranquilizá-lo rapidamente.

Apresentação do bebé
Deve acontecer de uma forma calma, natural e gradual. O cão deve estar tranquilo, o bebé ao colo do pai, e o progenitor deve deixar o cão cheirar o bebé, mas não de forma obsessiva. A aproximação deve ser gradual de acordo com a aceitação e tranquilidade do cão.

Integrar o cão nas rotinas do bebé
Ao fazê-lo a curiosidade e a ansiedade vão desaparecendo com o passar dos dias. Estabeleça sempre um espaço entre o cão e o bebé, mas deixe-o estar por perto.

Bebé sempre com supervisão
O seu cão é e será sempre um animal, com reações inesperadas perante determinados movimentos. Nunca deixe o seu filho e o seu cão juntos sem vigilância, especialmente nos primeiros anos de vida.

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